Presentation: Black History Month Special Edition Tertulia at the Vancouver Latin America Cultural Centre

Black History Month Special Edition Tertulia with Marco Schaumloeffel “Tabom, the community of the Afro-Brazilian returnees in Ghana”.

Website: https://vlacc.ca/events/black-history-month-special-edition-tertulia-with-marco-schaumloeffel-tabom-the-community-of-the-afro-brazilian-returnees-in-ghana/

Join us to this special edition Tertulia celebrating the Black History Month with UBC’s professor Marco Schaumloeffel on the Tabom people’s return to Ghana on Thursday, February 29, at 6:30 pm at the Britannia Community Centre Services (Conference Room). 

Discover the rich history of this unique community on a exploration of their ties to Brazil and integration into Ghana today.

The Tabom returned to Ghana from Bahia between 1829 – 1836 and are a culturally fascinating case of reverse diaspora. This presentation and conversation will be about their history, their links to Brazil and how these Brazilians, as they call themselves, are organised and live today integrated into the Ga people in Ghana.

Date: Thursday, February 29
Time: 6:30 – 8:00 pm
Location: Conference Room (Britannia Community Services Centre) 1661 Napier St, Vancouver, BC V5L 4X4

This is a FREE event, but registrations are required. Register

https://www.eventbrite.ca/e/tertulia-tabom-the-community-of-the-afro-brazilian-returnees-in-ghana-tickets-811739393377?aff=oddtdtcreator

The well-known and recently deceased Africanist, diplomat and member of the Brazilian Academy of Letters Alberto Costa e Silva referred the following way to one of the presenter’s publications related to the Tabom: “This book seems to be small, but has many doors, as if it were a mansion. They lead to several and different sceneries and let us see, first, in tailcoat and top-hat, and later wrapped in a beautiful kenté cloth, the human beings who filled them and whose stories the Tabom of today repeat by heart. If in its pages we learnt a lot about the Tabom People, thanks to the accuracy and the intelligence with which Marco A. Schaumloeffel listened and read, they demand from us, that we learn more.”

Short bio

Marco A. Schaumloeffel holds a Master;s degree in Linguistics from the Universidade Federal do Paraná, Brazil, and a PhD in Lingustics from the University of the West Indies, where he studied the creole languages of the Caribbean. He is an Associate Lecturer at the University of British Columbia. Previously, he was lecturer for Portuguese and German at the Barbados Community, Lecturer of Brazilian Studies at the University of the West Indies in Barbados, and he worked at the University of Ghana, teaching Portuguese and Brazilian Culture.

He is the author of the book Tabom – The Afro-Brazilian Community of Ghana about the history of the Afro-Brazilians who returned to Africa after abolition. In addition, he published several articles and chapters of books dealing with Linguistics, Creole languages, especially about Papiamentu and Papiá Kristang, German dialectology in Brazil, Hunsrückisch, teaching foreign languages and Afro-Brazilians returnees to West Africa.

Historical Aspects of Forced and Free Black Migrations in the ABC Islands

Chapter in Book

Title of chapter: Historical Aspects of Forced and Free Black Migrations in the ABC Islands.


Book: Many Rivers to Cross: Black Migrations in Brazil and the Caribbean. Elaine P. Rocha (Ed.). Vernon Press, 2024.

Link: https://vernonpress.com/book/1847

In the chapter Historical Aspects of Forced and Free Black Migrations in the ABC Islands, Marco Aurelio Schaumloeffel examines the ABC islands – Aruba, Bonaire and Curaçao – located in the southern region of the Caribbean archipelago. These islands, although they “functioned as an entrepôt for enslaved Africans, and the slave traders operated there as “middlemen” in the lucrative business of human trafficking”, were not drawn into the plantation economy. Schaumloeffel starts with a discussion about the importation of African people from various regions during the period in which the Dutch were heavily involved in slave trading, moving onto the arrival of Portuguese-Brazilian Sephardic Jews and their enslaved workers, which had a great impact in the islands. After the abolition of slavery, black people started to move from the islands to the continent, but the migrations increased during the twentieth century when workers moved from the ABC islands to parts of the British and Spanish Caribbean. He shows that movement in the region did not take place in only one direction, as people from other islands moved to Curaçao and Aruba, attracted by economic opportunities after oil was found in the region. This intra-Caribbean migration had a huge impact on the cultural identity of the region.

Língua como Patrimônio Cultural: O Caso do Papiamentu, Língua Crioula Afro-Caribenha

Língua como Patrimônio Cultural: O Caso do Papiamentu, Língua Crioula Afro-Caribenha

Apresentação de  “Língua como Patrimônio Cultural: O Caso do Papiamentu, Língua Crioula Afro-Caribenha” no III Congresso Internacional e Interdisciplinar em Patrimônio Cultural: Experiências de Gestão e Educação em Patrimônio, ocorrido de forma virtual de 7 a 11 de junho de 2021 a partir da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (campi Nova Iguaçu e Seropédica) e na Universidade Veiga de Almeida.

Grupo de Trabalho 8: Patrimônio, Cultura e Relações Etnico-Raciais

Apresentação PowerPoint: solicite por e-mail.

Caderno de Resumos

Resumo:

Língua como Patrimônio Cultural: O Caso do Papiamentu, Língua Crioula Afro-Caribenha

O Papiamentu é uma língua crioula afro-caribenha falada em Aruba, Bonaire e Curaçao (ilhas ABC). Apesar desta língua ter se formado há cerca de 350 anos e ser falada pela vasta maioria da população das ilhas ABC, ela só se tornou língua oficial em 2003 em Aruba e em 2007 em Curaçao, enquanto que em Bonaire, um município ultramarino especial do Reino dos Países Baixos, ele é apenas reconhecido como língua local sem status de língua oficial. Entre as línguas classificadas como crioulas no campo da Linguística, o Papiamentu se destaca por ser uma das poucas com status de língua oficial. Esta apresentação tem como objetivo analisar historicamente como se deu a formação do Papiamentu e como este idioma afro-caribenho de influência crioulo-portuguesa se tornou patrimônio cultural e símbolo de identitário nacional e regional, tendo como pano de fundo o sistema colonial holandês e sistemas educacionais que já usam parcialmente o Papiamentu, mas que ainda usam amplamente o holandês e, algumas vezes, até mesmo o inglês como línguas de instrução. Além disso, também serão examinados os principais fatores que transformaram e transformam o Papiamentu em um veículo de manifestações históricas, artísticas, identitárias, de emancipação e de independência cultural dentro do contexto afro-caribenho no qual se encontra inserido.

Os Tabons do Gana, a diáspora afro-brasileira na África Ocidental ainda pouco conhecida

Capítulo em livro

Os Tabons do Gana, a diáspora afro-brasileira na África Ocidental ainda pouco conhecida

Marco Aurelio Schaumloeffel

Livro: Mosaico: A construção de identidades na diáspora africana. Elaine Pereira Rocha; Nielson Rosa Bezerra (orgs.). Jundiaí (SP): Paco Editorial, 2021. ISBN: 9786558401117.

Páginas 43-65

 

Acesso: https://www.pacolivros.com.br/mosaico-diaspora

Sinopse

Baseada em estudos profundos da Diáspora Africana, esta obra é resultado da parceria de autores de diversas nacionalidades, áreas de conhecimento e pontos de vista distintos, em relação a esse momento histórico do continente, considerando também a América Latina. A obra Mosaico: a construção de identidades na Diáspora Africana apresenta ao longo de seus nove capítulos relatos importantes sobre “história dos negros na América Latina e na África”, destacando a resistência e a luta dos negros no diz respeito a escravidão no continente. Além disso, a obra apresenta importante discussão sobre “as migrações negras” e a identidade na Diáspora”, além de reconhecer a importância das mulheres negras e cubanas no período.

Sumário

Apresentação

1. Anglo-caribenhos transplantados: os povos esquecidos nas margens ocidentais do mar do Caribe

2. Os Tabons no Gana, a diáspora afro-brasileira na África Ocidental ainda pouco conhecida

3. Marinheiros caribenhos: identidade e organização na diáspora negra (1918-1945)

4. Gestando Cuba: a poética das mulheres afro-cubanas

5. A trajetória de M. G. Baquaqua no Brasil: escravidão, liberdade e emancipação no Mundo Atlântico

6. “Shades of Spade” – classificações de cor para afrodescendentes e taxonomia racial em Porto Rico e no Caribe Anglófono

7. Resistência escrava, fronteiras e espacialidades afro-amazônicas (1850-1880)

8. Construção e afirmação de identidades afro-latinas

9. Testemunha da história negra: Baobás no Brasil e no Caribe

Sobre os autores

Tabom: O Brasil longe do Brasil – Tabom: Brazil away from Brazil

Entrevista concedida à revista Atlântico / Interview for Atlantico Magazine

Instituto Brasil África / Brazil Africa Institute

Tabom: O Brasil longe do Brasil – Tabom: Brazil away from Brazil. Atlantico. Year 3. Number 11. July 2017. Pages 46-50. ISSN 2447-8016. Fortaleza, Brazil.

 

Link para todas as revistas/Link to all magazines: https://ibraf.org/atlantico-magazine/

Link para esta edição / Link to this edition: https://ibraf.org/wp-content/uploads/2017/09/atlantico11.pdf

 

 

 

A formação do Papiamento, suas origens portuguesas, africano-ocidentais e brasileiras

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Artigo publicado

A formação do papeamento, suas origens portuguesas, africano-ocidentais e brasileiras
Marco Aurelio Schaumloeffel

(Syn)thesis,v. 7, n. 2 (2014), ISSN 1414-915X
DOI  10.12957/synthesis.2014.19663
UERJ, Rio de Janeiro

Artigo em pdf

Obs.: a publicação (Syn)thesis alterou o título original, revisou o texto e preferiu usar o termo “papeamento”, sem nova consulta após a submissão do artigo. Embora alguns dicionários aceitem o termo “papeamento” e ele também esteja correto, prefiro usar os termos mais correntes: “papiamento” na escrita de Aruba (assim também consta p.ex. no Dicionário Houaiss para o Português) ou “papiamentu” na escrita adotada em Curaçao e Bonaire. Artigo publicado em dezembro de 2015.

Abstract
O objetivo deste artigo é investigar as conexões históricas que contribuíram para a formação do Papiamentu, uma língua crioula falada nas ilhas caribenhas de Aruba, Bonaire e Curaçao (ABC). Através desta análise, pretende-se mostrar que as ligações históricas do Papiamentu indicam que sua origem não se deve ao Espanhol, como muitas vezes é erradamente propagado, mas sim ao Português e aos crioulos portugueses. Estas ligações foram estabelecidas através do tráfico de escravos, o qual usava variantes e crioulos do Português como língua franca de comércio, e através das conexões diretas e indiretas estabelecidas entre as ilhas ABC, a Europa, a África Ocidental e o Brasil.
Palavras-chave: Papiamentu, História, Formação, Línguas Crioulas

Abstract
The objective of this article is to investigate the historic links that contributed to the formation of Papiamentu, a creole language spoken in the Caribbean islands of Aruba, Bonaire and Curaçao (ABC). The intention is to show through this analysis that the historic links of Papiamentu do not point towards a Spanish origin, as many times erroneously disseminated, but to Portuguese and Portuguese creoles. These links were established through the slave trade, which used Portuguese varieties and creoles as their trade lingua franca, and through the direct and indirect connections established between the ABC Islands, Europe, West Africa and Brazil.
Key words: Papiamentu, History, Formation, Creole Languages
Title in English: Formation of Papiamentu, its Portuguese, West African and Brazilian Origins


Source: Marco

Translating the Presence of Portuguese in a Caribbean Creole

Translating the Presence of Portuguese in a Caribbean Creole. Why are there similarities between an Asian Portuguese Creole and Papiamentu?

Marco APicture. Schaumloeffel

Presentation at the Translating Creolization Symposium – May 27-29, 2015. The University of the West Indies, Cave Hill Campus, Barbados

Website of the event: www.cavehill.uwi.edu/fhe/lll/tcs

 

Abstract
Papiamentu (PA) is a creole spoken as main language by the majority of the population in Aruba, Bonaire and Curaçao, and is official language in the first and in the latter. The origin of PA is controversial; a group of scholars attributes it to Spanish, due to its current lexical and phonetic similarities with Spanish, whereas another group sees linguistic genetic ties with Portuguese.

The aim of this presentation is to investigate the historical and linguistic links that might connect PA to Portuguese. Whereas historical links set the stage for eventual ties, possible grammatical commonalities in the very fabric that makes up the structure of PA may be strong indications of a genetic connection to its ancestor. Recent historical and linguistic evidence suggests that PA owes its origins to the West African Portuguese creoles. To further strengthen this evidence, this presentation will analyse key grammar elements such as function words, relators, verbal system and Time-Modality-Aspect markers, which are core elements and very strong indications of genetic ties, given their very low borrowability in contexts of relexification and formation of creoles. The analysis is done by means of comparing these PA core elements with those found in Papiá Kristang (PK), an Asian Portuguese Creole spoken mainly by only a few hundred persons in Malacca, Malaysia. It is consensus that PK is undoubtedly linguistically unrelated to Spanish. If there are similarities between PA and PK, then these can therefore not be attributed to Spanish. Although PK is used as tool of comparison, parallels with Spanish, Portuguese and other Spanish and Portuguese-based creoles will be made to establish a more comprehensive picture of possible linguistic ties between PA and Portuguese.

The evidence suggests that PA cannot be comprehensively analysed and understood if vital historical and linguistic links of this Caribbean creole to the Portuguese language are ignored.

Afro-Brazilian Diaspora in West Africa: The Tabom in Ghana

Chapter in Book

Afro-Brazilian Diaspora in West Africa: The Tabom in Ghana
Marco AureliPictureo Schaumloeffel

Book – Another Black Like Me: The Construction of Identities and Solidarity in the African Diaspora. Edited by Elaine Pereira Rocha and Nielson Rosa Bezerra
ISBN-13: 978-1-4438-7178-5
01 Feb 2015
Pages: 185-199

 

Book Description
This book brings together authors from different institutions and perspectives and from researchers specialising in different aspects of the experiences of the African Diaspora from Latin America. It creates an overview of the complexities of the lives of Black people over various periods of history, as they struggled to build lives away from Africa in societies that, in general, denied them the basic right of fully belonging, such as the right of fully belonging in the countries where, by choice or force of circumstance, they lived. Another Black Like Me thus presents a few notable scenes from the long history of Blacks in Latin America: as runaway slaves seen through the official documentation denouncing as illegal those who resisted captivity; through the memoirs of a slave who still dreamt of his homeland; reflections on the status of Black women; demands for citizenship and kinship by Black immigrants; the fantasies of Blacks in the United States about the lives of Blacks in Brazil; a case study of some of those who returned to Africa and had to build a new identity based on their experiences as slaves; and the abstract representations of race and color in the Caribbean. All of these provide the reader with a glimpse of complex phenomena that, though they cannot be generalized in a single definition of blackness in Latin America, share the common element of living in societies where the definition of blackness was flexible, there were no laws of racial segregation, and where the culture on one hand tolerates miscegenation, and on the other denies full recognition of rights to Blacks.

Sample and contents
– Website: http://www.cambridgescholars.com/another-black-like-me

What do Aruba, Bonaire and Curaçao have in common with Malacca? The historical and linguistic links between Papiamentu and Papiá Kristang.

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What do Aruba, Bonaire and Curaçao have in common with Malacca? Historical and linguistic links between Papiamentu and Papiá Kristang.
Marco Aurelio Schaumloeffel

Handout
Handout SCL 2014 – Marco Schaumloeffel
Prezi Presentation

Abstract
Abstracts SCL 2014 (p. 56)

References
References used to prepare presentation

What do Aruba, Bonaire and Curaçao have in common with Malacca? Historical and linguistic links between Papiamentu and Papiá Kristang.

The discussion on the origin of Papiamentu (PA) still is controversial, since it is classified by some scholars as a Spanish Creole and by others as a Portuguese Creole. However, recent historical and linguistic evidence trace back its origins to West African Portuguese creoles (Jacobs 2012, among others). This leaves little space to speculate if PA owes its origins to a variety or varieties of Spanish, but there still are many scholars who claim that PA is supposedly of Spanish origin.
The aim of this paper is to provide further evidence in favour of the Portuguese origin of PA by doing a unique investigation on the historical and linguistic links existing between PA and Papiá Kristang (PK). Historical links set the context, but linguistic data is naturally the most reliable evidence of possible genetic ties between creoles. At the first instance, it seems strange to compare a Portuguese creole  developed in Southeast Asia with another creole spoken in former Dutch colonies in the Caribbean, since they apparently are worlds apart.
Nevertheless, PK can ideally be used in this context, since it is a well-known and studied Portuguese creole that has virtually no Spanish influence. And if there is virtually no Spanish influence in PK, then the comparison between PA and PK may be an ideal tool to establish if PA really carries Portuguese features. Only a careful analysis can reveal if grammatical similarities are present in the structural fabric of both creoles.
The linguistic features that PA shares with PK will be analysed and compared in this paper through four relevant aspects of grammatical categories: Formation and use of TMA markers (Tense, Mood, Aspect), the multifunctionality of the lexical item ‘ku’, word reduplication and its grammatical functions, and analysis of two auxiliary verbs.
The evidence indicates that the origins of PA cannot be comprehensively analysed and understood if vital historical and linguistic links to the Portuguese language are ignored. These ties were formed via West Africa and the Portuguese creoles spoken there, and possibly also influenced by the immigration of Sephardic Jews and their servants from Dutch Brazil to Curaçao. Despite not being genetically linked to West African Portuguese creoles, but because it is a Portuguese creole undoubtedly unrelated to Spanish, PK acts as an ideal tool of comparison in this case. As result, this paper definitively refutes any hypothesis that excludes the fundamental role of Portuguese and Portuguese creoles in the formation of PA.

Tabom. A Comunidade Afro-Brasileira do Gana

Book

Tabom. A Comunidade Afro-Brasileira do Gana
Marco Aurelio Schaumloeffel

Lançado em 2014 pela Geração Editorial – ISBN 9781847990136

Saiba mais aqui: http://is.gd/Ip9dSQ
Compre aqui: http://is.gd/UYw2h6 ou

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/7440685

Impresso
Tabom. A Comunidade Afro-Brasileira do Gana

TabomO primeiro livro sobre a história dos tabons, a comunidade afro-brasileira do Gana. Eles voltaram à África Ocidental entre 1829 e 1836. “Este livro parece pequeno, mas possui muitas portas, como se fosse um casarão. Elas se abrem para várias e diferentes paisagens e nos deixam ver, primeiro, de fraque e cartola e, depois, envoltas em belo pano kente, as figuras humanas que as povoaram e cujas histórias os atuais tabons repetem de cor. Se, em suas páginas, aprendemos muito sobre o grupo tabom, graças ao cuidado e à inteligência com que Marco Aurelio Schaumloeffel soube ouvir e ler, elas nos pedem que saibamos mais.” (Alberto da Costa e Silva).
ISBN 1448645158 EAN 9781448645152

O livro impresso pode ser encontrado aqui: Tabom. A Comunidade Afro-Brasileira do Gana

Tabom – A Comunidade Afro-Brasileira do Gana

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Meu livro sobre os tabons finalmente ganha uma edição brasileira, lançada como e-book pela Geração Editorial.
ISBN:9781847990136
Lançamento: abril de 2014

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“Tabom”, de Marco Aurelio Schaumloeffel, é mais um lançamento de abril da Geração. O livro conta a história dos tabons, a comunidade afro-brasileira do Gana.

Saiba mais ~ http://is.gd/Ip9dSQ (Kindle/Amazon)
Compre aqui ~ http://is.gd/UYw2h6
Saraiva: http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/7440685


Source: Marco

Participação na mesa-redonda "A diáspora africana e a construção do Brasil"

A diáspora africana e a construção do Brasil

PictureParticipação na mesa-redonda “A diáspora africana e a construção do Brasil”, com os professores Joel Rufino dos Santos (RJ) e Rafael Sanzio (DF). A mesa-redonda fez parte do Seminário “Narrativas Contemporâneas da História do Brasil”, da II Bienal Brasil do Livro e da Leitura. O evento ocorreu de 11 a 21 de abril de 2014, em Brasília, Brasil. Eu falei sobre a fascinante história dos Tabons e como eles formam uma diáspora afro-brasileira no Gana.
Website do evento: www.bienalbrasildolivro.com.br
Programação do dia 15.04.2014: programação


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Ariano Suassuna foi o grande homenageado da Bienal. A homenagem foi linda e merecida. Este foi provavelmente o último evento literário do qual participou, infelizmente faleceu poucas semanas depois.

 

Links:
1) Guia UOL
2) Acha Brasília
3) Globo.com

Os Judeus do Papa – The Pope’s Jews

Translation

Os Judeus do Papa

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Tradução do livro “The Pope’s Jews”, de Gordon Thomas, do inglês para o português. Detalhes podem ser encontrados aqui:

http://geracaoeditorial.com.br/blog/os-judeus-do-papa/

 

 

 

Folha de São Paulo:
http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/2014/02/1408416-autor-de-os-judeus-do-papa-debate-a-responsabilidade-de-pio-12-na-2-guerra.shtml

Os judeus do papa 
Autor: Gordon Thomas
Tradução: Marco Aurelio  Schaumloeffel
Gênero: Literatura estrangeira – História
Págs: 392
ISBN: 9788581301273   E-book ISBN: 9788581301280
Selo: Geração

Sinopse

A II Guerra Mundial eclodiu na Europa. O exército nazista avan­ça pelo continente anexando e massacrando, deixando o rastro de sangue que marcou o século XX. No Vaticano, o papa Pio XII observa os horrores dos combates e tem que definir a posi­ção da Igreja perante o mundo. Mas ele não declara repúdio a Hitler nem se coloca ao lado dos Aliados — simplesmente silencia e a História lhe confere o título de papa omisso.

Por trás do silêncio havia um segredo agora revelado por documentos ofi­ciais secretos. Pio XII organizou uma ampla rede de ajuda humanitária para os judeus de toda a Europa. Sob orientação dele, padres e freiras arriscaram a vida fornecendo abrigo nos mosteiros e conventos a milhares de judeus. Pio XII doou ouro do próprio Vaticano para ajudar os judeus romanos e es­condeu milhares deles em sua residência de verão, enquanto Roma era ocupa­da e bombardeada pelos alemães.

Os judeus do papa é um dos melhores livros históricos já escritos. Baseado em uma rica pesquisa documental, é uma obra indispensável aos leitores que querem entender o que realmente aconteceu em Roma sob a liderança do injustiçado papa Pio XII.

Sobre o autor

Gordon Thomas é escritor e jorna­lista investigativo. Já publicou mais de 50 li­vros na Europa, ultrapassando a marca de 45 milhões de cópias, o que lhe rendeu prêmios importantes e o reconhecimento como um dos escritores mais surpreendentes da atualidade.

The Portuguese, West African and Brazilian Origins of Papiamentu

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Abstract of presentation done at the 19th Biennial Conference of the Society for Caribbean Linguistics, Nassau, The Bahamas, 30 July – 3 August 2012

Source: http://www.scl-online.net/Conferences/Past/2012_abstracts.pdf  p. 58-9

SCHAUMLOEFFEL, Marco
The University of the West Indies, Cave Hill

The Portuguese, West African and Brazilian Origins of Papiamentu

The genesis of Papiamentu (PA) still is controversial and scholars explain it through different hypotheses. Amongst others, Maduro (1966) and Munteanu (1996) classify it as a Spanish creole, since the Spaniards were the first to colonise the ABC Islands, where PA is spoken today; Martinus (1996) and Jacobs (2009) defend the Afro-Portuguese roots of PA, which would be linked to the transatlantic slave trade, whereas Goodman (1987) claims that PA would trace back its origins to a Brazilian creole brought to the Caribbean by Sephardic Jews and their servants who immigrated from Dutch Brazil to Curaçao after the recapture of Pernambuco by the Portuguese.
Differently from previous studies, the aim of this paper is to show that both the Afro-Portuguese and the Brazilian
hypothesis are complementary and necessarily must be considered when investigating the origins of PA, namely the role of the Portuguese language in Africa and the Americas during the transatlantic slave trade, the historical links between the ABC Islands and West Africa, and between Curaçao and Brazil. After a century of unsystematic rule, the Spaniards abandoned the ABC Islands and declared them islas inútiles or useless islands. In 1634, the Dutch occupied Curaçao and expelled almost all Amerindians to Venezuela. Even if the handful remaining Caiquetíos would have spoken Spanish or a Spanish creole after the Spanish absence, this fact hardly could have been decisive in the formation of PA, given the high influx of people from West Africa and Dutch Brazil.
History alone obviously cannot be used as the only evidence to support the claim that PA can trace back its origins to Portuguese and the Portuguese Creoles spoken in Europe, West Africa and Brazil, but it certainly is a component that plays a vital role to understand its origins. In this context the historic links between West Africa, Brazil and the ABC Islands will be examined. Linguistic data is naturally the most reliable evidence.
The linguistic features that PA shares with Portuguese and creoles of Portuguese basis will be thoroughly analysed in a future paper. Shared linguistic features between Fá d’Ambô (Annobonese) and PA and Brazilian Vernacular Portuguese and PA will be the object of the study. Therefore, the historical component here investigated should only be considered the first pillar of a more extensive and complete study. Both components combined, however, certainly provide a broader and more comprehensive scenario as to why it may be possible to trace back the origins of Papiamentu to Portuguese and Creoles of Portuguese origin.
The evidence shows that the history of the formation of PA cannot be comprehensively analysed and understood if vital historical links to the Portuguese language, to West Africa and Portuguese Creoles spoken in Africa, and to the immigration of Sephardic Jews and their servants from Dutch Brazil to Curaçao are ignored. As result, this paper definitively refutes any hypothesis that excludes the fundamental role of Portuguese and Portuguese creoles in the formation of PA.

Empréstimos Lingüísticos do Português nas Línguas Faladas no País dos Tabons

Printed Article – Portuguese

Português – artigo separado
Empréstimos Lingüísticos do Português nas Línguas Faladas no País dos Tabons
Empréstimos Lingüísticos do Português nas Línguas Faladas no País dos TabonsEste artigo de 29 páginas investiga os empréstimos de palavras e expressões do português em algumas das diversas línguas faladas no Gana. Este fenômeno foi causado pela presença portuguesa naquela área, iniciada em 1471, e pelo fenômeno dos retornados vindos da Bahia, lá chamados de “Tabom people”, ocorrida no início do Século XIX. Disponível nos formatos impresso e arquivo eletrônico. 29.09.2011

History of the Tabom, the Afro-Brazilian community in Ghana

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Chapter in Book

SCHAUMLOEFFEL, Marco Aurelio. History of the Tabom, the Afro-Brazilian community in Ghana. In: Kwesi Kwaa Prah. (Org.). Back to Africa. Afro-Brazilian Returnees and their communities. 1ed. Cape Town: The Centre for Advanced Studies of African Society (CASAS), 2009, v. 1, p. 159-172.

Tabom. The Afro-Brazilian Community in Ghana

Book

Tabom. The Afro-Brazilian Community in Ghana
Marco Aurelio Schaumloeffel

Tabom. The Afro-Brazilian Community In GhanaThe first book on the History of the Tabom, the community of the Afro-Brazilian returnees in Ghana. They returned to Ghana from Bahia between 1829 – 1836. “This book seems to be small, but has many doors, as if it were a mansion. They lead to several and different sceneries and let us see, first, in tail-coat and top-hat, and later wrapped in a beautiful kenté cloth, the human beings who filled them and whose stories the Tabom of today repeat by heart. If in its pages we learnt a lot about the Tabom People, thanks to the accuracy and the intelligence with which Marco A. Schaumloeffel listened and read, they demand from us, that we learn more.” (Alberto da Costa e Silva).
ISBN 1440460655 EAN 978-1440460654

You can find the book here: Tabom. The Afro-Brazilian Community in Ghana

Empréstimos lingüísticos do português nas línguas faladas no País dos Tabons

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Artigo publicado:

Schaumloeffel, Marco Aurelio. Empréstimos lingüísticos do português nas línguas faladas no País dos Tabons. Palavras (Lisboa), v. 34, p. 47-60, 2008.

Interferência do Português em um Dialeto Alemão Falado no Sul do Brasil

Book – Portuguese and Hunsrückisch

Português/Hunsrückisch
Interferência do Português em um Dialeto Alemão Falado no Sul do Brasil

Este livro descreve e analisa o estado atual do dialeto Hunsrück de Boa Vista do Herval (DBVH), uma pequena comunidade no RS, Brasil (20km de Gramado). Os dados apresentados baseiam-se em transcrições de quase 20 horas de gravações com 36 falantes, selecionados segundo critérios sociolingüísticos. O ponto central é a análise das interferências do português no DBVH, tanto no âmbito gramatical (gênero, verbos, formação de plural etc.) quanto no lexical-semântico (palavras de várias áreas: família, cozinha, profissões, tecnologia etc.).
ISBN: 978-1-4303-0725-9

Este livro pode ser encontrado aqui:

Interferência do Português em um Dialeto Alemão Falado no Sul do Brasil

O Dialeto Hunsrück de Boa Vista do Herval: materiais complementares (transcrições, tabelas, fotos etc.).

Interference of Portuguese in a German Dialect spoken in Southern Brazil – Hunsrückisch is spoken by the bilingual community of Boa Vista do Herval (BVH), situated in Southern State of Rio Grande do Sul and composed by descendants of Germans who immigrated to Brazil almost 180 years ago. The book draws the historic and sociolinguistic profile of BVH, describes some aspects of its Hunsrückisch, and studies the grammatical, lexical and semantic interferences of Portuguese.

The Ghana Blog

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The Ghana Blog – setembro de 2003 a julho de 2005.

Blog com fotos e as experiências vividas no Gana nos dois anos em que moramos lá.


Source: Marco

As semelhanças e diferenças culturais entre o Brasil e a África Ocidental

As semelhanças e diferenças culturais entre o Brasil e a África Ocidental
Marco Aurelio Schaumloeffel

Depois da chegada dos navegadores portugueses ao Golfo da Guiné, na costa ocidental da África, em 1471, e ao Brasil em 1500, foi estabelecida uma ponte que ligaria culturalmente dois continentes. No Gana, antigamente chamado de Costa do Ouro, os portugueses ergueram, em 1482, na cidade de Elmina[1], o Castelo de São Jorge, a mais antiga construção européia na África sub-saariana e o primeiro de uma série de fortes e castelos erguidos por diferentes exploradores europeus, entre eles franceses, ingleses, alemães e holandeses. Dessa ocupação na África surgiu o horrendo tráfico de humanos e a exploração de bens naturais.

A maior parte dos escravos, levada como produto para o Brasil, era originária do Congo e do Oeste da África, estes genericamente denominados de “negros sudaneses”. A cadeia de negociação de humanos no mercado iniciou-se nas próprias tribos. Ao contrário do que muitas vezes se aprende nas aulas de história, o sistema de escravidão não foi introduzido pelos colonizadores europeus na África. Ele já era característica comum nas tribos ganenses antes da chegada dos portugueses. Pessoas capturadas em tribos inimigas ou contraventores das regras internas eram escravizados. Os europeus deram proporções muito maiores a esta prática, fazendo com que tribos como a dos Akan e, principalmente, a dos Ashanti, no Gana, se tornassem ricas por venderem força de trabalho aos colonizadores, que levariam negros escravizados às Índias, à Europa e às Américas. Os chefes acumulavam grandes riquezas a partir desse tipo de transação, fato que se vê espelhado ainda hoje, p. ex., na figura do rei Ashanti, que ostenta tantas e tão pesadas pulseiras de ouro a ponto de precisar de um ajudante que lhe dê sustentação aos braços no momento de cumprimentar visitantes. No Benin, até mesmo afro-brasileiros, tanto descendentes de escravos brasileiros quanto africanos libertos, atuavam como agentes escravagistas[2]. Alguns deles conseguiam juntar fortunas fabulosas com o comércio de humanos, como foi o caso de Francisco Félix de Souza, que deixou de herança uma fortuna avaliada em 120 milhões de dólares, em dinheiro de hoje.

Os escravos originários da África Ocidental, principalmente das regiões da Costa do Ouro e da Costa dos Escravos (atualmente Benin), são os que formaram, em grande parte, as populações negras da Bahia, do Maranhão e de Pernambuco. Sem poder de decisão, o negro foi arrancado de seu continente natal e inserido na sociedade brasileira; trouxe consigo sua força de trabalho, seus hábitos, seu modo de ser, sua crença, ampliando, enriquecendo e modificando, dessa forma, a cultura e o dia-a-dia no Novo Mundo. A extensão dessa contribuição é ampla, muitas vezes pouco clara para quem está inserido em seu raio de ação, ainda mais que houve, no Brasil, o encontro das culturas ameríndia, africana e européia, resultando em processos novos, porém não uniformes, o que mostra a diversidade e a impossiblidade de se descrever “a cultura” do nosso país como algo homogêneo. Viver no continente africano deixa isso muito mais exposto e faz perceber que há influências culturais de dimensões e direções variadas. Tanto a sociedade brasileira quanto as da África Ocidental sofreram transformações a partir desta ponte criada pelo tráfico estabelecido inicialmente pelos portugueses. Aqui daremos enfoque específico sobre aspectos tópicos das influências, semelhanças e diferenças existentes entre Brasil e Gana.

As artes culinárias revelam coisas interessantes sobre a cultura de um povo. Há um jogo de palavras em alemão que resume isto: “man ist was man isst” (somos o que comemos). É muito comum ver pessoas preparando pratos feitos com mandioca (macaxeira) nas ruas de Gana. A mandioca, originária das Américas, possivelmente levada à África pelos colonizadores portugueses e também por libertos que decidiram retornar ao continente natal. Ela serve de base para o famoso fufu, preparado em um pilão junto com banana-da-terra, para pirões e para a farofa, adicionada a muitos pratos, inclusive a feijão cozido que requer, assim como grande parte dos pratos, uma boa dose de pimenta malagueta. Além da mandioca, também o inhame e o milho, este também originário das Américas, são usados para fazer purês no pilão, sempre acompanhados no prato de molhos variados feitos com ingredientes como carne de porco, de bode, sardinhas, peixes secos, quiabo, cebola, pimenta e óleo de dendê. Normalmente as refeições não são feitas com talheres, mas sim, e exclusivamente, com a mão direita, pois a esquerda é considerada a mão suja. Ela também não pode ser usada para cumprimentos nem para dar ou receber presentes, o que seria uma demostração de pouca polidez. Nas ruas as pessoas montam banquinhas onde preparam lanches rápidos, entre eles amendoins torrados, castanhas de caju, bolinhos, bananas e carnes fritos em óleo de dendê. As laranjas, assim como em várias partes do Brasil, são oferecidas já descascadas ao lado de pedaços de manga, mamão, abacaxi ou pedaços de cana-de-açúcar prontos para serem mascados. Para a sede pede-se uma água de côco. Quase todas as mulheres, que formam o pilar-mestre do comércio ganense, carregam suas “lojas” em grandes bacias sobre a cabeça em um equilíbrio inacreditavelmente perfeito. É impressionante observar a dança e a sincronia de um mercado repleto de mulheres carregando objetos de toda ordem, pesos e tamanhos por sobre a cabeça. Delas é possível comprar desde esmalte para unhas até frutas, verduras, ovos e calças masculinas. Essas semelhanças na comercialização, na plantação e no consumo de alimentos exibe um dado curioso: enquanto o Gana é o segundo maior produtor de cacau do mundo (a vizinha Costa do Marfim é o primeiro), originário das Américas, nós somos o maior produtor de café, originário da África. No Benin, como descreve Guran (2000: 123-124), há, inclusive, entre outros, “feijoadá”, “moukeka” e o “kousidou”, além de sobremesas como a “concada”, levados para lá pelos agudás, os assim chamados retornados “brasileiros” daquela região.

Na África, as origens da música estão intimamente ligadas à religião. Da mesma forma ocorre no Brasil, onde os rituais das religiões afro-brasileiras também são acompanhados de música, tendo diferentes denominações, conforme a região de ocorrência: tambor de mina no Maranhão, xangô do Rio Grande do Norte ao Sergipe, batuque no Rio Grande do Sul e candomblé em outros estados como a Bahia e o Rio de Janeiro. Na música, muitas de nossas manifestações como samba, gafiera, choro, pagode, maxixe, maracatu, forró, frevo, embolada, côco, lundu, congadas etc. têm claras influências africanas, principalmente na percussão e nos ritmos. Alguns intrumentos de percussão foram trazidos da África, outros criados aqui por afro-brasileiros. Cuícas, ganzás, atabaques e marimbas são testemunhas dessa contribuição à música brasileira. As variações poliritmicas e as cadências africanas, unidas à melodia européia e à herança musical indígena, criaram um resultado inesperado e novo: a música e as danças brasileiras. Além disso, o carnaval, de origem européia, africanizou-se no Brasil, transformando-se na maior e mais alegre festal nacional. Além de sermos venerados por especialistas do mundo todo pela música que criamos, usamos a música para venerar, um legado tanto africano quanto indígena. Essa veneração exibe, hoje, graus diversos, desde o culto terreno ao culto do corpo de uma bela mulher até à evocação de entidades superiores abstratas.

Pensar em cultos religiosos no Brasil sem a presença de elementos africanos é praticamente impossível. Nas práticas católicas menos ortodoxas entram elementos de fetichismo e superstição; nas diferentes religões afro-brasileiras, assim denominadas por invocarem e praticarem ritos que não são puramente de origem africana, há elementos de origem indígena e européia. Para tal, basta observarmos ritos religiosos como a lavagem do Senhor do Bonfim[3] na Bahia ou as atitudes de um jogador antes do início de uma partida de futebol. As religiões afro-brasileiras sofreram influências umas das outras, de forma que há, na maioria delas, características nagô (ou iorubá, da atual Nigéria), ewe (do Togo e do oeste de Gana, muitas vezes também chamado de jejê) e bantu (do sul da África). Como o catolicismo era, durante mais de três séculos, a religião oficial e a única a ser aceita pelo Estado, a criatividade e o desejo de preservar as raízes culturais dos afro-brasileiros, já amalgamadas também por diferentes processos, colocou roupagens de santos católicos nas divindades (orixás) africanas, fazendo surgir uma curiosa duplicidade de nomes para a mesma entidade: Xangô também é conhecido por São Jerônimo, enquanto Iansã é Santa Bárbara, só para citar dois exemplos. Embora qualquer semelhança possa ser apenas uma mera coincidência, os cidadãos ganenses hoje geralmente têm dois nomes, um chamado por eles de “natural name” e outro de “Christian name”. Assim, p.ex., uma estudante de Português na Universidade de Gana, chamada oficialmente de Ekuba Dazie, também se apresenta como Patricia, dependendo da situação e de quem são seus interlocutores. Nos passaportes, a fim de evitar transtornos pessoais, as autoridades colocam ambos, o nome oficial e o cristão, normalmente criado pela fantasia de cada um. Já no Brasil, a criação da duplicidade de nomes de entidades religiosas serviu como forma de proteger e dar continuidade ao culto dos afro-brasileiros. Ela é prosaicamente chamada de sincretismo, termo divulgado e usado para explicar a suposta mistura entre os santos do catolicismo e das religiões afro-brasileiras. Há sincretismo nas religiões afro-brasileiras, mas não neste caso. Em sua verdadeira acepção, o sincretismo prevê um amálgama de concepções hetorogêneas, o que de fato aconteceu nas religiões afro-brasileiras, em processos de sincretismo interafricanos e quando estas incorporaram elementos das culturas dos povos indígenas e dos europeus. As  religiões tribais na África, que hoje estão em contato permanente com doutrinas cristãs das mais variadas, parecem não ter passado por tantos processos sincréticos quanto as religiões afro-brasileiras. Lá também há pessoas que praticam ritos religiosos distintos, o que não significa que, necessariamente, haja um amalgamento entre crenças, fazendo surgir um novo produto. Da mesma forma, no Brasil, também não houve fusão entre oxirás e santos do catolicismo, como comumente divulgado; houve apenas um acobertamento das divindades africanas, forma criativa achada pelos afro-brasileiros para poder dar continuidade à prática de suas crenças, já que estas estavam proibidas pelas autoridades que só reconheciam o catolicismo como religião do Estado brasileiro.

No Gana há, atualmente, a presença maciça de igrejas cristãs. Há, inclusive, duas igrejas evangélicas vindas do Brasil. Mais de 60% da população freqüenta os cultos cristãos, embora também haja, assim como no Brasil, pessoas adeptas tanto do cristianismo quanto das religiões por eles chamadas de “naturais”. Em torno de 13% dos ganenses praticam o islamismo. Ao mesmo tempo em que as igrejas cristãs trazem consigo algumas soluções para Gana, servindo de principal atividade de encontro social durante todo o dia de domingo, causam problemas de imensurável dimensão, tentando modificar totalmente o modo de pensar e agir dos ganenses, fazendo com que, em conseqüência, toda uma postura cultural, julgada sumariamente como ruim pelos colonizadores religiosos, seja perdida. Algumas igrejas, inclusive, servem de base para acorbertar atividades ilegais ou de fonte de renda para os benefícios pessoais de pastores, que circulam em carrões novos em meio à pobreza extrema, explorando e iludindo pessoas menos esclarecidas. Um inconsciente coletivo criado por esta presença de doutrinas religiosas alheias às crenças originalmente africanas parece criar a falsa idéia de que tornar-se cristão possa ser o contraste necessário, a redenção de todos os problemas sociais e financeiros, uma vez que sociedades consideradas evoluidas – assim um esclarecido professor universitário ganense tentou certo dia me explicar – não praticam religiões que têm como deuses orixás que se originaram, p. ex., de fenômenos naturais como o raio ou do sol.

As artes africanas, assim como muitas outras manifestações culturais, têm sua motivação primodial nas religiões. As esculturas de madeiras e diferentes tipos de máscaras servem para invocar e incorporar entidades superiores ou para solucionar problemas tópicos, como é o caso da boneca de madeira akuaba que ainda hoje é usada, amarrada nas costas das mulheres ganenses, simbolizando a fertilidade e, quando grávidas, para procriar filhos inteligentes e fortes. Tanto no Brasil quanto nos países do Golfo da Guiné esta tradição da escultura permanece. Observar Ibejis, o orixá jejê-nagô, no museu Afro-Brasileiro de Salvador[4], deixa isto muito claro. Lado-a-lado estão Ibejis, muito semelhantes, procedentes de Ifahin, no Benin, e da Bahia. Hoje o talento de trabalhar a madeira é usado como meio de subsistência dos dois lados do Atlântico, até mesmo trivializando, de certo modo, o trabalho artístico. Isto é consequência natural da presença de turistas, muitas vezes pouco interessados na real cultura e que somente em busca de experiências e coisas exóticas que poderão ser mostradas a amigos na sala de casa depois da volta ao mundo chamado ocidental e civilizado.

Mais de 60 línguas[5] africanas são faladas no Gana, várias delas parecidas, embora com variações gramaticais, lexicais, sintáticas e fonéticas. A língua é o depositário da identidade cultural de um grupo de pessoas, e no Gana elas seguem o conceito tribal: cada tribo tem sua identidade comunicativa, sua língua. Os principais grupos de línguas são o Ewe, o Ga, o Fanti, o Akan e o Twi, uma espécie de língua franca falada pela maioria dos ganenses. Além desse amplo aparato lingüístico, ainda há o Inglês, única língua oficial do país, herança dos colonizadores. O inglês, menos falado que o Twi, é a principal língua usada nos meios de comunicação e normalmente é falado por aqueles que tiveram acesso à educação formal oferecida pelo estado. Foi uma surpresa encontrar, dentro deste contexto linguístico fascinante e complexo, influências da Língua Portuguesa. Uma análise cuidadosa dirime esta surpresa, uma vez que os portugueses foram os primeiros europeus a ancorar na Costa do Ouro há mais de cinco séculos; além disso, houve, há menos de dois séculos, o fenômeno de retorno de libertos e escravos revoltosos expulsos do Brasil que tinham como língua principal o Português[6]. Este legado inevitavelmente também deixou suas marcas nas línguas utilizadas pelos ganenses. Nas ruas, pedintes solicitam esmolas em inglês com a expressão “dash me something, please”. “To dash” em inglês não é sinônimo de “to give”, significa “precipitar-se, arremessar, destruir”. Uma pesquisa mais cuidadosa revelou que “dash me” nada mais é que uma interferência do Português: “dás-me”. Da mesma maneira, houve numerosas interferências do Português nas línguas africanas faladas em Gana[7]. Em Ewe fala-se “abolo” e “sabola” para “bolo” e “cebola”; em Ga é possível ouvir “ayo” e “agúia” para “alho” e “agulha[8]”; já em Akan “prékoo” e “obra” significam “prego” e “obra”, enquanto que em Fanti “komidzi” e “tabu” equivalem às palavras “comida” e “tábua”. Há, ainda, fenômenos interessantes como a palavra Fanti “faka” que significa “garfo”, provavelmente fruto de uma confusão na hora da “apresentação” de objetos novos trazidos pelos portugueses ao continente africano.

Assim como é surpreendente ouvir um “dash me” nas ruas de Acra, também não é menos interessante ouvir relatos sobre a existência de uma tribo chamada Tabom, completamente integrada ao dia-a-dia da capital ganense e parte integrante da tribo dos Ga, dominante na área. Os Tabom são libertos e expulsos pela Revolta do Malês de 1835 do Brasil que retornaram à África e acharam sua acolhida definitiva em 1836 entre a tribo Ga na então cidadezinha de Acra. Os Tabom, na sua chegada a Gana, somente sabiam falar português, usavam os cumprimentos conhecidos “Como está?” e a resposta “Tá bom”, daí provavelmente a origem do nome “Tabom people” dado a eles pelo povo Ga. Eles tinham várias habilidades, foram muito bem recebidos pelo rei Ga e ganharam terras com localizações privilegiadas; nestas terras iniciaram plantações, inclusive com sistemas de irrigação, trazendo novas técnicas aprendidas no Brasil e melhorando, dessa forma, as condições econômicas e a vida de todos. Muitos também tinham especialidades prezadas e pouco dominadas na época pelos Ga: eram carpinteiros, alfaites, ferreiros, construtores, arquitetos etc que ajudaram no desenvolvimento comercial e na melhoria das condições sanitárias do país. A contribuição dos Tabom é muito mais extensa do que as melhorias estruturais por eles promovida. Como muitos em seu retorno eram islâmicos, eles ajudaram a consolidar o islamismo na capital, no sul do país, pois o islamismo era forte somente no norte; outros Tabom levaram de volta ao seu continente uma estátua de um xangô, ainda hoje preservada e guardada sob certo mistério e cuidados. Além disso, termos do português trazidos por eles foram incorporados às línguas locais, embora ele não seja mais falado atualmente. A culinária, a música, a dança e o jeito de vestir sofreram uma “re-influência”, refazendo o caminho cultural África-Brasil-África. Apenas a título de exemplo, é possível observar, em uma das fotos antigas dos Tabom, o chefe Tabom, de traços físicos semelhantes aos chefes Ga com quem está reunido, de terno preto e gravata, enquanto que seus colegas, na reunião de chefes com o rei, estão todos vestidos com túnicas longas e coloridas, bem à moda ganense.

Apesar de todas estas semelhanças, viver o dia-a-dia em um país como Gana também expõe muitas diferenças. A percepção do corpo é diferente da nossa; há muito espaço para vaidades, mas ainda não há a preocupação extrema em seguir e ser como modelos impostos pela cultura e pela mídia ocidental. Há modas, mas nada que faça todos parecerem ter as mesmas preferências. É interessante para mim, depois de um ano, voltar de férias para o Brasil em 2004 e ver que em Curitiba, cidade onde vivi oito anos antes de ir para a África, a imensa maioria das mulheres nas ruas com, pelo menos, uma peça de roupa cor-de-rosa. Há casos extremos de moças com combinações desde a sola dos sapatos, calças, cinto, blusinha, roupa íntima à mostra, faixa de cabelo e telefone celular nas mais diferentes tonalidades da cor rosa. Este tipo de fenômeno, principalmente gerado pelas mídias de massa, que transforma cada indivíduo em apenas um componente de uma massa homogênea, ainda não há em Gana. Lá as mulheres, por questões culturais e religiosas, não expõem tanto o corpo, não mostram jamais o umbigo, tão fácil de ser visto mesmo no inverno do Sul do Brasil. Nas praias, o traje feminino de banho e passeio é um vestido longo, enquanto que para os homens um calção ou mesmo a nudez são tolerados. Por outro lado, na cultura rural, na vida tribal, não há o menor problema para as mulheres em andar com os seios de fora. As necessidades fisiológicas, mesmo nas maiores avenidas da capital, têm prioridade. Urinar ou defecar, seja de frente para uma rua movimentada, em uma ponte ou na areia da praia, não exige nenhum pudor, afinal é apenas visto nessa cultura como necessidade comparável a respirar.

Outra grande diferença cultural está no modo de realizar os ritos de funerais. Em Gana faz-se festejos de funeral. A morte de alguém da família significa tristeza apenas no momento inicial e somente para os familiares mais próximos, normalmente os que conviviam com o falecido. Passado isto, a família deve ser reunida para planejar a festa de funeral, que acontecerá três ou quatro semanas mais tarde, em um final de semana, de sexta a domingo, quando todos tiverem a possibilidade de estar presentes. Durante este período, o cadáver fica em geladeiras apropriadas para sua conservação, enquanto que é feita a encomenda, para aqueles que seguem as religiões naturais, do caixão personalizado. Estes caixões são de tamanhos e formatos diferentes e alegres, pouco semelhantes com aqueles padronizados e lúgubres que temos. Se o falecido foi pescador, o caixão terá formato de sardinha gigante ou de réplica de seu barco de trabalho; um caçador valente terá um caixão imitando um leão, um pastor uma bíblia, um adorador de carros alemães um caixão estilo BMW ou Mercedes e o apreciador de cerveja será enterrado dentro de urna funerária em formato de garrafa enorme decorada com a marca preferida. No final de semana da festa, normalmente enterra-se o cadáver na sexta-feira. Logo em seguida começa a festa que durará até domingo à noite. Dependendo do poder aquisitivo da família, contrata-se uma banda, vários tipos de comida são preparados, tudo regado a chope, vinho, champanha, destilados e refrigerantes. Todas as pessoas que estiverem a fim de participar da festa podem comparecer, mas geralmente só há a “obrigação” de não deixar faltar nada aos convidados oficiais. Há casos de famílias que contraem grandes dívidas por causa da morte de um familiar; as festas de funeral exigem esforço colossal de todos os parentes próximos. Durante as três semanas de preparação as crianças deixam de ir à escola e os adultos não comparecem ao trabalho, o que é aceito culturalmente sem restrições. O falecimento é um evento social, que envolve danças, bebidas alcoólicas, alegria, uma forma de reencontrar parentes e amigos, uma oportunidade, p.ex., de jovens conhecerem pretendentes, tendo, só que em caráter mais amplo, a mesma função social que as igrejas desempenham aos domingos. A idéia primordial da festa de funeral era despedir alegremente a alma desta vida, para que ela pudesse ir em paz para encontrar, em outro mundo, seus antepassados de forma comemorativa, sem tristezas. Além disso, ela também tinha a função de acolher e alimentar pessoas que vinham de longe, de outras aldeias, após horas ou dias de caminhada.

Uma das mais interessantes vitrines de interpretação da cultura de um povo são as propagandas. Enquanto nós achamos muito normal associar o formato de uma garrafa ou o gosto de uma cerveja a mulheres belas, em Gana surte efeito o que pode ser chamado de “realismo fantástico”. Remédio que cura diarréias deve ter uma placa na rua com a ilustração de uma criança de cócoras sofrendo as conseqüências da disenteria; remédio contra impotência logicamente mostra o desenho de um homem grande e forte tendo uma ereção, ao contrário da nossa linguagem que prefere propagandas com jogos de palavras que permitam interpretações cheias de segundas intenções; um médico que trata hérnias coloca em frente ao consultório ilustrações com anomalias desproporcionalmente grandes nas mais diferentes partes do corpo; para mostrar a resistência de um reservatório de água na TV, monta-se uma cena de um acidente de caminhão, na qual o tanque transportado cai e desce rolando um morro enorme e não estraga. Estes são apenas alguns exemplos de propagandas efetivas em Gana que causariam estranhamento cultural e poucos resultados positivos para o anunciante, caso fossem usadas em nosso meio.

O papel de mulheres e homens na sociedade é muito diferente. As mulheres são vistas como as provedoras de filhos e, na maioria das vezes, também dos alimentos para a família. Em grande parte das tribos ganenses, mesmo nas de perfil urbano, o sistema de organização familiar é matriarcal. A mulher é chefe da família, coordena o dia-a-dia econômico e social e tem os direitos sobre a herança. Segundo relatos de vários ganenses, esse sistema é o mais fácil, pois todos têm certeza de quem é sua mãe, o que nem sempre acontece em relação ao pai, já que a poligamia, embora indesejada pelas mulheres, é tolerada por todos. Apesar de todo o trabalho doméstico, as mulheres também são responsáveis pela maior parte da entrada de recursos na família. Elas vão à feira vender o que produziram no quintal de casa ou foram colher na natureza. É comum ver mulheres carregando seus filhos amarrados às costas e uma grande e pesada bacia de produtos para vender na cabeça, acompanhada de seu marido, que caminha tranqüilamente de mãos vazias à frente dela.

Estar em um país com 99,8% de negros e ser branco impõe uma situação extremamente interessante, do outro lado da moeda, fazendo sentir e entender muitas das situações pelas quais passam negros no Brasil, embora estes estejam longe de ser uma minoria. Geralmente minorias são discriminadas de alguma forma, pelo simples fato de serem diferentes do “padrão”, sejam elas de qualquer origem. Em Gana, quando avistado um branco, é muito comum as pessoas berrarem por todos os cantos e em qualquer situação “hello oburoni”, o que significa “olá homem branco”. Comportamento deste tipo com, p.ex., afro-brasileiros ou descendentes de japoneses não seria tolerado nas ruas do Brasil. Segundo os ganenses, é apenas uma forma de bem receber estrangeiros, mesmo que oburonis não se sintam tão à vontade com a rotulação pública. Há várias implicações embutidades nesta atitude relativamente ingênua, que resultam, obviamente, em tratamento desigual.

Haveria a possibilidade de discorrer longamente sobre este e outros temas, mas a intenção deste artigo é de apenas fazer o registro de algumas impressões de vivências pessoais, mostrando muitas semelhanças e alguns contrastes que há entre as várias atitudes culturais brasileiras e as do Golfo da Guiné. Desse modo, esperamos ter contribuído, nem que minimamente, para que criemos consciência e valorizemos nossas raízes, os componentes formadores de um Brasil heterogêneo, múltiplo, sejam eles originários da África, da Europa, da Ásia ou das Américas. A ponte criada entre o Brasil e a África, embora seja fundamental, basilar para nossa cultura, muitas vezes é estranhamente por nós ignorada. O que sabemos nós da África? O que queremos saber? Quem renega suas origens renega a si mesmo.

Bibliografia

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BARATA, Mário et allii. The African contribution to Brazil. Rio de Janeiro : Edigraf, 1966.

GURAN, Milton. Agudás : os “brasileiros” do Benin. Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 2000.

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LANGUAGE GUIDE. Fante Version. 7. ed. Bureau of Ghana Languages, Accra, 1990.

RODRIGUES, Nina. Os africanos no Brasil. 4. ed. São Paulo : Editora Nacional, 1976.

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SCHAUMLOEFFEL, Marco Aurelio. The influence of the Portuguese Language in Ghana. Daily Graphic. Accra, v. 149.120, p. 7, 2004.

SCHAUMLOEFFEL, Marco Aurelio. The links between West Africa and Brazil in the Culinary Art. Daily Graphic. Accra, v.149137, p. 14, 2004.

VALENTE, Waldemar. Sincretismo religioso afro-brasileiro. 2. ed. São Paulo : Companhia Editora Nacional, 1976.

VERGER, Pierre. Fluxo e refluxo do tráfico de escravos entre o Golfo do Benin e a Bahia de Todos os Santos : dos Séculos XVII a XIX. São Paulo : Corrupio, 1987.

Notas:

[1] Do português „A Mina“, em referências às várias minas de ouro da região.
[2] Estes fatos são muito bem documentados e descritos tanto por Verger quanto por Guran (ver bibliografia).
[3] A festa de N. S. Do Bonfim é, aliás, também festejada, ao lado da festa da burrinha (chamada de “bourian”)  pelos “brasileiros” do Benin, como descreve o fotógrafo e antropólogo Milton Guran (2000: 126-168).
[4] Este museu é muito interessante, mas, apesar de ser bastante freqüentado por um grande número de turistas estrangeiros, infelizmente não apresenta explicações escritas ou orais em outras línguas, apenas no Português do Brasil.
[5] Ao invés de „línguas“ o termo „dialetos africanos” é comumente mais utilizado, embora estes “sistemas de comunicação” apresentem variações gramaticais, lexicais, sintáticas e fonéticas.
[6] Sobre o fenômeno dos afro-brasileiros que retornaram à África discorrerei mais adiante.
[7] Aqui serão apresentados somente alguns exemplos. O fenômeno da interferência do Português no Inglês e nas línguas africanas falados em Gana é bem mais amplo.
[8] Termo somente para utilizado para a agulha usada na confecção de redes de pescar.

The African contribution to Brazilian Sports

Picture Text for Graphic Sports – Weekend Edition 15 apr 2005

The African contribution to Brazilian Sports

Last time I wrote about the huge contribution of the people of African origin in Brazilian football. Their contribution is obviously not only restricted to football, but can be extended to many other sports in Brazil. They were responsible for the creation of a new modality in sports called capoeira.

During the Olympic Games 2004 in Athens it was possible to see that large part of the crew of athletes representing Brazil in the games is of Afro-Brazilian origin. Afro-Brazilians are present in the collective sports like volleyball and basketball, but also in individual modalities.

Brazilians are normally very proud of their athletes, especially if they are able to win a medal. During the last Century a lot of Afro-Brazilians became legends of sports. This is the case of a very important Afro-Brazilian called Joao Carlos de Oliveira, known as “Joao do Pulo”. His nickname means “John, the Jumper”. In the Panamerican Games in Mexico in 1975 he broke the world record with the mark of 17.89 meters. It was so impressive, that this jump remained for 10 years as the world record. In the same Games he also won the gold medal in the long jump (8.19m).

Years earlier, already Adhemar Ferreira da Silva, a former Brazilian cultural attaché in Nigeria, became famous when he broke several times the world record in the triple jump. In the same Olympic Games (1952) e. g. he broke the world record four times and raised the mark to 16.22 meters. He was from a poor family, a real symbol of achievement. He worked during the day, studied at night and trained during his lunch hour. The deserved reward were two gold medals in this category.

Joaquim Cruz, another Afro-Brazilian, won the Olympic gold medal on the track in the Olympic Games of Los Angeles 1984 with the new Olympic record of 1.43.0 in 800 meters. Nowadays we have a lot of new, very good Afro-Brazilian athletes, like the sprinter Wanderley Quirino and the celebrity Daiane dos Santos, elected in Brazil the Sports Women of the Year 2003. In the World Championship in the USA, she won the gold medal in Floor Exercises, with a sequence called “double twist carped”, called later “Dos Santos” by the International Federation of Gymnastic. In the World Cup in Germany, she surprised the world again with an even more difficult sequence, the “double twist extended”. She was a candidate for a gold medal in the Olympic Games 2004, but injuries interfered in the results and she ended as fifth best gymnast. Even though, a short time later, by the end of 2004, she was again Gymnastics World Champion.

In boxing we have today a man of Bahia called Acelino “Pop[MAS1] o” de Freitas. He is actually WBO lightweight world champion and still undefeated since the beginning of his career as a professional. In the past, Afro-Brazilians like Maguila were very famous. In Ghana you have a multi champion and legend of boxing, that doesn’t need any comments: Azumah Nelson, a Ghanaian and Tabom of Afro-Brazilian origin.

In spite of all the problems that athletic sports have, because the sponsorship of individual athletes in some modalities seems not to be of interest to big companies, the athletes can produce very good results. A lot of them are what we can call “half professionals”. Because of their condition as underpaid athletes they have other jobs to earn money. So they train e. g. in the early morning, during the day they work and go to evening classes to improve their educational level to have better professional perspectives after retirement as athletes. For these heroes of sport the Brazilians normally pay respect and admiration, because their story is a story of self-sacrifice, humility, passion and pride.

Capoeira, brought into Brazil by the Bantu people from Angola, was originally a kind of foot-boxing fight, a way of self defence. In Brazil, capoeira was transformed into a kind of sport-dance practised by two dancers that show figures of a fight in form of dance without touching each other. It is a sport with a lot of skill which requires a fit body condition and is always accompanied by Afro-Brazilian music of West African origin. The musicians and the other participants are in a circle around the dancers, singing and clapping hands.

When the Afro-Brazilians or even all the Brazilian athletes, independent of their origin, are taking part in a competition or a tournament, they show their typical superstition, combining Christian prayers and the sign of the cross with African fetishist rituals to protect their body against injuries and to help them to win the fight against their opponents in the competitions.

Marco Aurelio Schaumloeffel
Brazilian Lecturer in Ghana

Picture “daiane.jpg”: The World Champion Daiane dos Santos

Informações sobre os Tabom e o Durbar por eles organizado

Informações sobre os Tabom e o Durbar por eles organizado


Visita do Presidente Lula ao Gana

Marco Aurelio Schaumloeffel

Leitor Brasileiro no Ghana Institute of Languages/University of Ghana desde 2003, enviado pelo MRE.

Press release para repórteres e jornalistas de vários meios de comunicação brasileiros que fizeram a cobertura da visita do então Presidente Lula ao Gana – 12.04.2005

O Durbar

Antigamente o durbar era a recepção oficial organizada para príncipes e para o vice-rei da Índia. No Gana, esse ato protocolar, trazido pelos ingleses, foi adapatado às tradições das tribos locais. O durbar é organizado para a recepção ou a despedida de personalidades e simboliza o afeto, a admiração e o respeito que um determinado clã dispensa à pessoa ou ao grupo de pessoas homenageadas. O rei (ou chefe) de um clã faz-se acompanhado de todo seu séquito, incluindo sub-chefes, chefes de família, lingüistas (mensageiros), rainha- mãe, princesas, capitães, percussionistas, dançarinas etc. As togas tradicionais, os colares e as pulseiras de miçangas, usados  na ocasião, indicam a posição hierárquica de cada um. Alguns rituais são partes fundamentais de um durbar: os cumprimentos (primeiro por parte dos visitantes, depois por parte dos anfitriões); a cerimônia de libação para invocar a presença e homenagear os deuses e os antepassados; a distribuição de bebidas para os visitantes, que muitas vezes vêm a pé e chegam sedentos; os interlúdios de percussão e dança para aguçar os presentes ao próximo passo do durbar; os votos de boas-vindas do chefe do clã e a conseqüente resposta dos visitantes, anunciando o propósito de sua presença naquele local; a troca de presentes como forma de atar laços entre duas instituições amigas. O  durbar ora oferecido ao Senhor Presidente da República segue basicamente todos esses passos. Durbars sem uma programação fixa podem durar várias horas, estendendo-se noite adentro, com interlúdios longos para danças e conversas entre anfitriões e hóspedes.

Os Tabom

Causa estranheza chegar no Gana e ouvir falar de um povo chamado „Tabom“. Os Tabom formam  uma  comunidade  brasileiro-ganense, de  retornados,  que  voluntariamente voltaram à África de seus antepassados, depois de terem comprado sua liberdade no Brasil*.  Como  na  sua  chegada ao  Gana  somente sabiam falar  português, usavam os cumprimentos conhecidos “Como está?” e a resposta informal “Tá bom”, além de usarem o termo como uma concordância “Tá bom!”, daí a origem do nome dado a eles pelo povo Ga, que os recebeu amigavelmente. Sabe-se de várias comunidades de descentes de brasileiros em solo africano, grande parte delas no Benin, na Nigéria e no Togo, formando clãs com nomes como Souza, Silva ou Cardoso.  Estudos estimam que no Século XIX aproximadamente 10.000 afro-brasileiros libertos voltaram à África. Em vários países da África Ocidental é possível encontrar bairros, escolas e museus com o nome “Brasil”. Em Lagos (Nigéria) há um “Brazil Quarter” e um clube com o nome “Brazilian Social Club”; no Benin há uma escola pública chamada “École Brésil”. Alguns afro-brasileiros são (ou foram) muito conhecidos em seus países. Um deles foi Sylvanus Epiphanio Olympio, eleito primeiro presidente do Togo em 1960. O primeiro Chachá do Benin, o chefe e controlador do comércio e da relações com os estrangeiros, foi o afro-brasileiro Francisco Félix de Souza,

que ficou muito rico através de seu envolvimento no tráfico de escravos. Ele teve 53 esposas, 80 filhos e 12.000 escravos. Quando faleceu, deixou de herança a seus descendentes uma fortuna estimada em US$ 120 milhões. A linha real dos Chachás existe até hoje no Togo. O primeiro  Embaixador do Brasil em Gana, Raymundo Souza Dantas, cita em seu livro “África difícil”, ter recebido uma carta de um togolês chamado Benedito de Souza, que alegava ser seu primo.

No Gana, o único grupo significativo de retornados de que se tem notícia é o dos Tabom. Segundo relatos, a viagem do Brasil para o Golfo da Guiné foi feita em um navio chamado S. S. Salisbury, oferecido pelo Governo inglês. Em Acra chegaram em 1836, vindos da Nigéria, como visitantes. Foram tão bem recebidos pelo Mantse (chefe) Nii Ankrah, da área de Otublohum (na capital Acra), que resolveram ficar. O líder do grupo na época da chegada dos  Tabom  ao  Gana  chamava-se Nii  Azumah  Nelson.  A  família  Nelson  tem  grande importância entre os Tabom. O filho mais velho de Azumah Nelson e seu sucessor, Nii Alasha, foi grande amigo do ilustre Rei Ga, Nii Tackie Tawiah. Juntos, eles ajudaram no desenvolvimento comercial e na melhoria das condições sanitárias do país. O atual Mantse, Nii Azumah V, é descente dos Nelson, como, aliás todos os outros chefes da história dos Tabom. Os Nelson são conhecidos por também terem a First Scissors House, a primeira alfaiataria do país, fundada em 1854, que, entre outras atividades, tinha a tarefa de fazer uniformes para o exército ganense. Prova dessas habilidades dos Tabom é o Sr. Dan Morton, atualmente o chairman dos Tabom e um dos alfaiates mais famosos do país.

Do povo Ga, eles receberam terras com localizações privilegiadas, em bairros hoje muito conhecidos da capital, como é o caso de Asylum Down, da área próxima à estação central de trens e da região em torno da Accra Breweries; nesses locais grandes árvores de manga são, ainda hoje, testemunhas da presença dos Tabom. No bairro de North Ridge, há uma “Tabon Street”, que lembra as plantações que eles tinham no lugar. Muitos Tabom vivem, desde a chegado ao Gana, no atual bairro de James Town, que fica de frente para o mar e próximo ao antigo porto de Acra. Lá há uma rua chamada Brazil Lane, onde está localizada a primeira casa que abrigou os Tabom, a Brazil House. Os Tabom iniciaram o cultivo de manga, mandioca, feijão e outros vegetais, além de trazerem do Brasil várias habilidades como técnicas de irrigação, carpintaria, arquitetura, trabalhos com metais, especialmente os preciosos, alfaiataria, entre outros, melhorando, dessa forma, a qualidade de vida de toda a população ganense. Além disso, os Tabom contribuíram no campo da religião, uma parte deles no estabelecimento do maometanismo, outra na preservação de cultos religiosos como o shangô. Hoje eles estão completamente integrados a Acra, são aceitos como parte integrante da divisão de Otoblohum, embora ainda sejam chamados pelo povo Ga de “the Brazilians”, bem como, entre os ganenses, ao se apresentarem, eles se autodenominem “Brazilian-Ghanaians”, como forma de destacar sua individualidade nessa sociedade.

* Até o presente momento ainda não está claro se eles realmente compraram sua liberdade e decidiram voltar à África, ou se já eram trabalhadores libertos que foram deportados depois da revolta dos Malês em 1835. Um grande número de afro-brasileiros foi deportado para a África, especialmente os de origem islâmica, que organizaram a revolta. Como os Tabom coincidentemente chegaram a James Town (Velha Acra) em 1836 e a maioria deles era de islâmicos, a hipótese da deportação não pode ser descartada. Somente estudos aprofundados poderiam provar uma ou outra tese.

Tabom People will welcome President of Brazil with a durbar

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 SCHAUMLOEFFEL, Marco Aurelio. Tabom People will welcome President of Brazil with a durbar. Daily Graphic, Accra, v. 149400, p. 15 – 15, 11 abr. 2005.

Tabom People will welcome the President of Brazil with a durbar

The Afro-Brazilian community in Ghana, known as Tabom People, will have the honour to organize a durbar to welcome the President of Brazil, H.E. Luiz Inácio Lula da Silva, who will be in Ghana from the 12th to the 13th April. It will be the first time that a Brazilian President will pay a visit to Ghana. Mr. Lula da Silva’s efforts show a clear policy in relation to Africa. In his first 3 years in office, he visited more African countries than all the other former Brazilian Presidents together. In this sense, Mr. Lula da Silva is strengthening the so called South-South relations between countries, apart from establishing stronger links between Africa and Brazil, the second biggest black nation in the world after Nigeria. And a part of these links between the two sides of the Atlantic is the Tabom People. It was a group of about 70 people that arrived in 1836 in Accra, after being freed as slaves in Brazil. Like many others in Nigeria, Benin and Togo, they decided to come back to Africa. Here they were most welcome by the Gas in the Otublohum Division in James Town.  They received land and started to farm. They brought with them skills such as irrigation techniques, architecture, carpentry, blacksmithing, gold smithing and tailoring. In the area of the Angetebu Street (Adabraka), they dug wells and found non brackish water, thereby improving the sanitary conditions of all the people in Accra. The leader of the Tabom group at the time of their arrival was a Nii Azumah Nelson. Since that time the Nelson family has been very important to the History of the Tabom People. The eldest son of Azumah Nelson, Nii Alasha, was his successor and a very close friend to the Ga Mantse Nii Tackie Tawiah.

At the present moment the Tabom Mantse is Nii Azumah V, descendant of the Nelsons. The Tabons are also known as the founders of the First Scissors House in 1854, the first tailoring shop in the country, which had amongst other activities, the task to provide the Ghanaian Army with uniforms by the tailor George Aruna Nelson, master of Dan Morton, another Tabom and one of the most famous tailors nowadays in Accra. The First Scissors House still exists, and is very close to the Central Post Office.

Some of the Tabons still live nowadays in James Town, where the first house built and used by them on arrival in Ghana is located. It is called “Brazil House” and can be found in a short street with the name “Brazil Lane”. There are some plans of UNESCO and the Government of Brazil to restore this house, within the ‘Old Accra Integrated Urban Development and Conservation Framework’, a project of the Government of Ghana, transforming it in a cultural site for the Tabom to display their own History.

The beginning of the official relation between Brazil and the Tabom People was immediately after the set up of the Embassy of Brazil in Ghana in 1961. The first Brazilian Ambassador to Ghana, Mr. Raimundo Souza Dantas was very well received by them. Since then the relations have become more intensive, and continue to grow.

So it is natural, that the first Brazilian President coming to Ghana wants also to interact with the Tabom community, his “Brazilian brothers” in Ghana.

Apart from the durbar of the Tabom People, Mr. Lula da Silva has other very important issues to deal with. He will hold several discussions with the Government of Ghana on e. g. bilateral agreements and the reform of the UN, and will launch the Ghana-Brazil Chamber of Commerce. Brazil is cooperating with Ghana in sectors like salt and cassava production. In a cooperation together with JICA (Japan) a group of 11 specialists was sent last month to Brazil to learn about the latest technology in cassava processing. Besides that, in the educational sector the Embassy has brought a Brazilian lecturer to teach Portuguese, Brazilian literature, History and Civilisation and is granting every year about 10 scholarships for Ghanaians to study in the best Brazilian universities.

Marco Aurelio Schaumloeffel
Brazilian Lecturer in Ghana

P.S.: the correct way to write the name of the Afro-Brazilian People is TABOM (with “m”) even though the right pronunciation is “tabon”.

Attached is a picture. Subtitle for it: “Nii Azumah III with from left to right on the front row Naa Abiana II, Queen Mother of the Tabom, H.E. Raimundo de Souza Dantas the Ambassador of Brazil to Ghana from 1961 to 1963, Mrs De Souza Dantas, the Ambassador’s wife, and their child between them. Nii Azumah III on the extreme right and other members of the Tabom Community in the background (1961).”


Source: Marco

The History of the Brazil House

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Text for the Daily Graphic, Accra, Ghana, 09 Apr 2005

The History of the Brazil House

The History of the Brazil House is closely related to the History of the Tabom People, who returned to Ghana from Brazil in 1836. It is maybe the biggest material symbol of the importance of the Tabom People and a symbol of their History in Ghana. This becomes very clear when we look at its privileged location, in the Brazil Lane in Old Accra, facing the sea, straight in front of the old port, for a long time the gate from and to the world.

A chat with Mr. W. L. Lutterodt, a Tabom Senior and the accredited head of the Mamah Nassu family with authority to represent the family in all matters pertaining to Brazil House, reveals a lot of the History of the Brazil House.

When Mamah Nassu arrived together with six other families in 1836 from Brazil, he was the flag bearer of the clan. He bought that land in the Brazil Lane and built a house there for his family. He was married to Naa Supiana and had a daughter called Naa Chercher, who later married a royal from the Nii Oto Din family of Otublohum. This marriage is a clear sign that the Tabom People were welcomed and accepted within the Ga State. Naa Chercher had four children: Okanta Acquah, Kofi Acquah, Florence Acquah and Mary Acquah. Her son Kofi Acquah became a professional cook. He went to Warri in Nigeria and worked there for some years. On his return to the Gold Coast he demolished the old family house built by Nii Mama Nassu and replaced it by the present two storey house as a family house for himself and his sisters.

For a considerable number of years the late Kofi Acquah leased the house to various European businessmen and companies. One of these companies built a warehouse on the land, which they used for their business.

From the year 1942 however the house was no longer rented out and the family went to live there. The warehouse was converted into dwellings and let out to outsiders. A few surviving members who are direct descendants of Kofi Acquah are also living in the house.

Since the Brazil House is in state of disrepair, the Brazilian Government had together with UNESCO and the Tabom People the idea to rehabilitate it. Apart from these institutions, the Government of Ghana is also supporting the project within the so called “Old Accra Integrated Urban Development and Conservation Framework”.

The Brazil House will serve as a cultural space where Brazil and the Brazilian community in Ghana will be able to interact with the Tabom People and the general public, and it will serve as the Official Hall of the Tabom Mantse. Most of the people currently living on the premises will remain on the site and will see their dwellings refurbished in the context of the project.

The Tabom Mantse’s Official Hall will highlight the Brazilian roots of the Tabom People by establishing a documentation centre and an exhibition space where the Tabons will have a chance to learn more about their History and its linkages to Brazil.

It is interesting to note that the rehabilitation of Brazil House deals with an interesting aspect of the Slave Route Project: The return of descendants of former slaves from Brazil to the continent of their ancestors.

The announcement made yesterday by Mr. Lula da Silva, President of the Federative Repubic of Brazil, donating a considerable amount of money to the Tabom foundation for the rehabilitation of the Brazil House was a great step by Brazil in supporting the Tabom People in its efforts to have a cultural centre that shows their History. On the other hand, very good news came from the private sector for the Tabom People: Coral Paints (M&K Ghana) released the information today that they will also donate money for the named foundation, completing the needed funds for the rehabilitation project to become a reality.

Source: some of the information used here are in the brochure “Brazil House Rehabilitation Project”

Marco Aurelio Schaumloeffel
Brazilian Lecturer in Ghana

Attached: picture of the Brazil House in the Brazil Lane in James Town

The African contribution to Brazilian Football

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SCHAUMLOEFFEL, Marco Aurelio. The African Contribution to Brazilian Football. Graphic Sports – Weekend Edition, Accra, v. 2289, p. 10 – 11, 08 abr. 2005.

 

The African contribution to Brazilian Football

To think of Brazilian football without African contribution is virtually impossible. We are the only nation that participated in all the World Championships ever organized and are five times World Champions (1958, 1962, 1970, 1994 and 2002). One of the biggest factors for this feat is undoubtedly the African characteristics brought into our way of playing this game.

Football was introduced in Brazil by the Brazilian Charles Miller in 1894. He was the son of an English couple, studied in England and played in the team of Southampton as a striker. When he returned to Brazil, he brought two balls and could hardly imagine what a sensation he would cause in our country. The first official team in Brazil was Sport Club Rio Grande, founded in 1900 in the South of Brazil by guys of German, English, Portuguese and Brazilian ascendancy. Soon after that all the other, today famous, clubs like Sao Paulo, Corinthians, Flamengo, Fluminense, Gremio, Santos and Palmeiras were founded.

Initially it was only played by people of the highest social standing, being considered a “noble” sport like golf, tennis or yachting. But soon people started to improvise the game with e. g. balls made of leather and stuffed with old paper or rags. Any vacant lot, sand area, river bank or even in the middle of the street is an appropriate place to play an amateur match, that we call “pelada”. Pelada is for everybody who enjoys to play football, poor and rich, black and white. It is maybe the most democratic popular institution in the world. Apart from that, it is certainly the birthplace of the biggest new Brazilian football stars. Romario, Ronaldo and Ronaldinho Gaucho, just to cite a few, started their careers in the streets, before they could play in the largest football stadium in the world, the Estadio Maracana in Rio de Janeiro, which can hold a crowd of over 200,000.

Everyday I can see peladas in various parts of Accra, which I’m sure is pure fun and certainly also good grounding for new Ghanaian football talents.

Since football was considered a sport for “special” people in the early 1910’s, the Afro-Brazilians were initially not allowed to play in the clubs. But it was inevitable to notice their abilities for the game. Soon football worked as an emancipation instrument for poor black, mullato and white people. In 1923 the team of Vasco da Gama won the cup of Rio de Janeiro, with a team basically composed of Afro-Brazilians rejected by other clubs, causing the admiration of football fans. The club “Gremio” of Porto Alegre, founded in 1903, e.g. only in 1952 decided to end with racial selection of players, contracting the first Afro-Brazilian player. It was the forward Tesourinha, a football genius (less than 10 years ago Gremio produced the Afro-Brazilian Ronaldinho). The natural skills of the Afro-Brazilians in football, the malleability and cadence, sense of improvisation, the spectacular dribbles and control of the ball were finally recognized.

If the theme is Brazilian football, we can not forget the ever greatest player. We call Mr. Edson Arantes do Nascimento simply “Rei Pele” (King Pele). Between 1956 and 1977 Pele scored 1,279 goals, becoming the player ever to have scored the biggest number of goals in official matches. His 1000th goal was scored in his 909th match. And these are only the official figures, without all the goals scored in unofficial matches, in which he took part, just to give an idea. Because of him and his Santos Futebol Clube, we have today, amongst others, teams in Guyana, Jamaica, South Africa, Namibia, Burkina Faso and in the second division in Ghana with the name “Santos”. One of the best and most famous Ghanaian players gave himself, not casually, the nickname Abedi Pele.

The same qualities can be said of the Afro-Brazilians in the women national team. In this modality Brazil has to learn a lot from other national teams. It is a relatively new modality, so that we can not have legends like Pele in women football, but one of the most famous players of the team is the Afro-Brazilian striker “Pretinha”, who is only known by her nickname which makes very clear her origin, for “Pretinha” is how we call, with affection, a small back girl.

Apart from all the abilities of the Afro-Brazilians, we also show the world what we inherited from the Afro-Brazilians before the beginning of each match due to our association of sport and religion. Many players make the sign of the Cross and practise mystic rituals, in the hope to disarm the adversary. The majority of sports lovers, especially football players, managers, coaches and fans, show a kind of superstition, a kind of mixture between Catholic belief and Afro-Brazilian rituals. If somebody really wants to protect his team, he performs or orders a voodoo session that we call macumba, which can be seen in some cities at street corners in the early morning.

From the national selection of 2002, which won the World Cup in Korea and Japan, 15 out of 22 players selected for the Brazilian national team were Afro-Brazilians, figures that show the importance of the contribution of Afro-Brazilians in our football. Since the 1930’s Brazilian football players, especially Afro-Brazilians, who enjoy a good reputation, were sent abroad, to play in the most famous European teams. Under a European team scheme, they have contact with more rigorous planning and tactic organization. Today, Brazilian players can be found in all the continents. Tunisia, the African Champion of 2004, for example, naturalized two Brazilians to play in their selection.

And it is just the mixture of the African abilities with the European discipline, the severe schemes, straight and without any creativity, that created the Brazilian football, admired all over the world. The best example of good results and profits of a sport globalisation is a Brazilian player with roots in Africa, who goes with all his creativity and innuendos to Europe to learn all about the boredom of planned everyday life in sports. The result, as we know, is superb.

P.S.: I used here conscious the term “football” instead of the strange word “soccer”. In Brazil we ignore the violent American football, and I prefer to stay with “football” (“futebol” in Portuguese) in its original meaning, the art that combines “foot” and “ball”. Since football has world dimensions and is not restricted to a few societies, I believe that we have the right to keep it with its original meaning.

Marco Aurelio Schaumloeffel
Brazilian Lecturer in Ghana

Dash me more palaver: Portuguese words in Ghana

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A Brazilian in Ghana – IX

SCHAUMLOEFFEL, Marco Aurelio. Dash me more palaver: Portuguese words in Ghana. Daily Graphic, Accra, v. 149393, p. 16 – 16, 02 abr. 2005.

“Dash me more palaver”: Portuguese words in Ghana.

It’s amazing to see, how many words from the Portuguese were borrowed to various Ghanaian languages. Last year, I wrote a short article in the Graphic about some words used in Ghana that come from Portuguese. But deeper research has shown a large number of borrowed words, so that I decided to “dash you more palaver” on it, to be very clear in good Ghanaian Pidgin English.

As we already know, the influence of the Portuguese language in Ghana is related to the arrival of the Portuguese as first Europeans on the Gold Coast in 1471, to the close links between West Africa and Brazil during the terrible time of slave traffic and to the Afro-Brazilians who decided to come back to Africa after they were freed or bought their freedom in Brazil. In Ghana these returnees are called “Tabom People”, they arrived here in 1836 under the leadership of the Nelsons, still a well known family in Accra.

Apart from words and expressions like “dash me”, “palaver” (Pidgin), “sabola” (Ewe) and “paano” (Fanti) that I explained last time, plenty of other words are of Portuguese origin. Especially the words related to food are productive. So, when you refer to “abolo” (Ewe and Ga), you are using a word that comes from the Portuguese “bolo” (cake), or “ayo” (Ewe, Ga) means in Portuguese “alho” (garlic), “komidzi” (Fanti) for “comida” (food), “keesuu” (Akan) from “queijo” (cheese). The Names of some fishes come straight from the Portuguese: “barracuda”, “tilapia” and “grouper”. This last one is called a bit different in Portuguese (garoupa). Even “kafe” (Ewe, Ga, Akan) probably comes from our “cafe” and not from the English word “coffee”.

The same happens with words that designate a tool or an object. The Portuguese word “tabua” (board, wood) appears in Ghana as “tabo/tabu” (Ewe, Fanti) or as “tabua” (Twi). The Ewe “vele” (candle) is our “vela”, the Akan “safe” (key) comes from “chave”, the Fanti and Ga words “fononoo” and “flonoo” from “forno” (oven), while the words “akooble” (Ga), “kobere” (Akan) and “akobli” (Ewe) come from “cobre” (copper). The word “prego” (nail) was integrated into Fanti (“pregow”), Ga (“plekoo”) and Akan (“prekoo”). The Ga fishermen use a specific word for their needle with which they sew their nets, called “agulia”. It comes from “agulha” (needle).

The word “agua” (water) generated the Akan words “aguaree” (bath, wash – noun), “aguare” (bathe) and “guare” (wash – verb). Besides, I was told that in Ewe, Ga and Twi you ask for the bill in the restaurant or refer to a calculation with the word “akontaa”. The same happens in Brazil, where we request “a conta”.

It is also interesting to note that words used for some cutlery and kitchen objects are also from the Portuguese. It happened probably because the Portuguese brought these objects with them along to West Africa. In Ga we have “gafolo/gafojii” and in Ewe “gaflo”, which comes from “garfo” (fork). It is funny for me to see that “faka” in Fanti and Ewe can also mean “fork”, even though it comes from “faca” (knife), certainly caused by a confusion between the correct meaning of the words. Finally, a Fanti eats his meal from a “pretse”, which comes from “prato” (plate) and the Gas and the Akans drink from a “koopoo/kopoo”, from the Portuguese “copo” (glass, cup).

Also the clothing suffered influence from the Portuguese language. A Ga man can buy a “kamisaa” made of “seda” and a pair of “aspaatere”. “Kamisaa” comes from “camisa” (shirt), “seda” (term also common in Ewe) from “seda” (silk) and “aspaatere”, also used as “asopaatsee” (Fanti) or “asapatere” (Akan) from “sapato” (shoe).

When the Portuguese left by ship for the discoveries around the world, they normally had at least one Catholic priest along with them, because it was the official religion of the state. This is reflected nowadays in the Ghanaian languages. Some of the Ewes are “catolico” (Catholic, in Portuguese “catolico”), go to the “misa” (mass, in Portuguese “missa”), they read the “biblia” (bible, in Portuguese “biblia”, also used by the Gas) and believe in “Kristo” (Christ, in Portuguese “Cristo”, also common in Ga and Akan).

The story of the name of famous Tudu market area in Accra is also marked by Portuguese influence. In the 40’s the Portuguese established there some shops and started to rival with the traders of the Makola Market, explaining to people that only in their shops the costumers were able to find “tudo” (it means “everything” in Portuguese). Later the area was abandoned by the Portuguese, giving over to Syrians and to Lebanese traders. Nowadays the Ghanaians and the Chinese traders are dominating the area. Even though, the heritage of the Portuguese name of the place still lives on.

These are only a few examples of the words that I’m still collecting and it shows how precious the treasure of language can be. Some conservatives and purists might say, that the phenomenon of borrowing words from other languages corrupts the own culture, with which I cannot agree. All the languages pass through this process. In Portuguese e.g. we had and we still have influences of several African and Indian languages, Arabic, German, English, Spanish etc. The language stage shows a whole culture, its influences, its changes, its enrichment and improvement through the contact with other peoples and cultures.

Marco Aurelio Schaumloeffel
Brazilian Lecturer in Ghana

The Afro-Brazilian Religions

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 A Brazilian in Ghana – VI


SCHAUMLOEFFEL, Marco Aurelio. The Afro-Brazilian religions. Daily Graphic, Accra, v. 149159, p. 9 – 9, 15 jun. 2004.

The Afro-Brazilian Religions

When the Africans were brought to Brazil as slaves, they were not only “human machines” that worked in the plantations, as maybe wished by the Portuguese colonizers, but fortunately they contributed in various aspects of the life of Brazilian society. Under those contributions are the creation of diversity in creeds and religions and the consequent modification and adaptation of them in Brazil. The biggest part of the Brazilian population is Roman Catholic, which doesn’t mean that they are “pure” Catholics. In the state of Bahia the way to act and to belief of a Catholic family is certainly quite different from a traditional Catholic family in Italy, since the African elements played a role in the worship, in the beliefs, in the superstitions, in the collective mentality and in the way to interpret the world.

From South to North of our country we can see Afro-Brazilian religions. Well call them so, because in Brazil the African religions suffered various processes of influences and interaction with Catholicism and Spiritualism. Apart from that, the diverse African religions influenced each other internally in Brazil, in a type of amalgamation of traditions from several African tribes and countries. This whole phenomenon we call “syncretism”.

Even though the Africans brought to Brazil were from different regions, from Sudanese people of the West and North to Bantu people from the Southern part of the Continent, the Nago (Nigeria) and the Ewe (Togo) had the biggest influences in different Afro-Brazilians aspects of life. Nago (ioruba) became a kind of lingua franca under the Afro-Brazilians and the mixture of various African elements, but principally Nago and Ewe characteristics, created the Afro-Brazilian religions. Catholicism was the official religion of Brazil from 1500 to 1889, which meant, that the other religions like Afro-Brazilian creeds were forbidden. With a lot of creativity and the instinctive sense to keep their beliefs, the Afro-Brazilians “masked” their Gods with names of Catholic saints, which helped to preserve their religion, but now under the support of the “official church”. Because of these, the Gods and the saints of the Afro-Brazilian religions normally have nowadays two names. So e. g. the orisha (divinity) called Shango (God of thunder and lightning) can be also called Sao Jeronimo and Iansan (Goddess of the water) is also known as Santa Barbara.

The structure of an Afro-Brazilian religion normally presents an almighty God called Olorun (originally “the sky”, also called Olodumare, Olerum or Lorum) and the divinities (Orishas) acting between Him and the ordinary human beings. Orisha is a designation from Ioruba, the same as Vodum for the Ewes. In Central and North America this term was distorted, so that the fetishist Voodoo is for them quite different from the original Ewe meaning of divinity or saint.

The Sudanese (people from West Africa) culture created in Brazil various religions that are very similar, but labelled with different names. So we have Candomble in the State of Bahia, Shango in Pernambuco. Tambor-de-Mina in Maranhao, Batuque (also called Nassao or Para) in Rio Grande do Sul, amongst others. With a bigger Bantu influence, we have the religion called Umbanda, which has also, apart from the orishas, the influence of Spiritualism. They also worship the spirits of their ancestors. The Afro-Brazilians also interacted with the native people of Brazil, the Indios. As a result, we have the combination of Afro-Indigenous elements in religions called Babassue in the Amazon region or Tereco in Goias and Maranhao. Specialists in religious studies classify the Afro-Brazilian religions as anthropomorphic polytheistic fetishism, which means fetishism with various divinities in human forms. These human forms can also represent phenomena of nature.

The Afro-Brazilian religions are less closed than the Juju is in Ghana or in Nigeria; sacrifices to pay for good gods or to avoid malevolence are however done in secret in both places. In spite of the former syncretism, the Afro-Brazilian religions form separate churches, even if the same people attend more than one type of worship in the same day.

In Ghana I didn’t have the opportunity as yet to learn more about the traditional religions. People always say to me: “no, no, I’m a Christian. I don’t know anything about it”. Either they are trying to hide it from me or it is really a sign that the Western Christian churches, with all their advantages and disadvantages, are overriding the traditional religions and consequently a part of the African culture.

Marco Aurelio Schaumloeffel
Brazilian Lecturer in Ghana

Tabom – The Afro-Brazilian community in Accra

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 Publicado em 03.06.2004 no Daily Graphic (ISSN 0855-1529), página 14

SCHAUMLOEFFEL, Marco Aurelio. Tabom: The Afro-Brazilian community in Accra. Daily Graphic, Accra, v. 149143, p. 14 – 14, 03 jun. 2004.

A Brazilian in Ghana – V

 
Tabom – The Afro-Brazilian community in Accra

It was very strange for me as a Brazilian to arrive in Ghana and hear tales of a people called “Tabom”, because of the familiarity of the term with greetings in the Brazilian Portuguese. The Tabom People is an Afro-Brazilian community of former slaves, who decided to come back to the African continent of their ancestors, after they bought their own freedom in Brazil*. When they arrived in Accra they could speak only Portuguese, so they greeted each other with “Como esta?” (How are you?) to which the reply was “Ta bom”, so the Ga people of Accra started to call them the Tabom People.

We in Brazil already know about various communities of Afro-Brazilian descendants in West Africa, most of them spread through Benin, Nigeria and Togo. Some studies estimate that in the 19th Century approximately 10,000 former slaves decided to return to Africa. Throughout these countries we can find estates, schools and museums with the name “Brazil”. In Lagos there is an estate called “Brazilian Quarter” and a club with the name “Brazilian Social Club”; in Benin we can find a school called “Ecole Bresil”. In those countries it is very common to find family names like Souza, Silva, Olympio or Cardoso. Some of them were very well known in their countries. Sylvanus Epiphanio Kwami Olympio e.g. was elected the first President of Togo in 1960, unfortunately killed in 1963 because of a military coup. The first Chacha of Benin, that means the chief and controller of trade and relations with foreigners, was the Afro-Brazilian Francisco Felix de Souza, he became very rich due to his involvement in the slave traffic. He had 53 wives, 80 children and about 12,000 slaves. When he died, he left an empire of an estimated 120 Millions Dollars to his successors. The royal line of the Chachas still exists nowadays in Togo. The first Brazilian Ambassador to Ghana arrived in 1961. He was an Afro-Brazilian called Raymundo de Souza Dantas. He cites in his book “Africa dificil”, that he received a letter from a Togolese called Benedito de Souza, who alleged to be his cousin.

In Ghana, the only representative group of people that decided to come back from Brazil is the Tabom People. They came back on a ship called S. S. Salisbury, offered by the English Government. About seventy Afro-Brazilians of seven different families arrived in Accra, in the region of the old port in James Town in 1836, coming from Nigeria as visitors. The reception by the Mantse Nii Ankrah of the Otoblohum area was so friendly, that they decided to settle down in Accra. The leader of the Tabom group at the time of their arrival was a certain Nii Azumah Nelson. Since than time the Nelson family has been very important to the History of the Tabom People. The eldest son of Azumah Nelson, Nii Alasha, was his successor and a very close friend to the Ga King Nii Tackie Tawiah. Together they helped in the development of the whole community in commerce and environmental sanitation.

At the present moment the Tabom Mantse is Nii Azumah V, descendant of the Nelson’s. The Tabons are also known as the founders of the First Scissors House in 1854, the first tailoring shop in the country, which had amongst other activities, the task to provide the Ghanaian Army with uniforms. Proof of these skills is without any doubt Mr. Dan Morton, another Tabom and one of the most famous tailors nowadays in Accra.

Because they were welcomed by the Ga people and received by their king as personal guests, the Tabons received lands in privileged locations, in places that are nowadays very well known estates, like Asylum Down, the area near to the central train station and around the Accra Breweries. In those areas, the mango trees planted by them bear silent witnesses to their presence. In the estate of North Ridge there is a street called “Tabon Street”, which is a reminder of the huge plantations that they formerly had there. Some of the Tabons live nowadays in James Town, where the first house built and used by them as they arrived in Ghana is located. It is called the “Brazil House” and can be found in a short street with the name “Brazil Lane”.

The Tabons did not arrive poor, but rather with much wealth. Because of their agricultural skills, they started plantations of mango, cassava, beans and other vegetables. They brought also skills such as irrigation techniques, architecture, carpentry, blacksmithing, gold smithing, tailoring, amongst others, which certainly improved the quality of life of the whole community.

Apart from all these contributions, they also influenced the religious life of the community, helping in the definitive establishment of the Islamic religion and the preservation of some African religions that they modified in Brazil, like the shango. Nowadays the Tabons are completely integrated in the Ghanaian society and are a part of the Otublohum Section of the Ga People.

* Up to now it is not very clear, if they really bought their freedom and decided to immediately come back or if they were at that time free workers in Brazil, but were deported after the Male Revolt of 1835. A lot of Afro-Brazilians were deported back to Africa, especially Moslems who organised the Male Revolt. Since they arrived accidentally in 1836 in Accra and most of them were Moslems, it can possibly be the case. Only detailed and deeper studies can prove one of the suppositions.

Marco Aurelio Schaumloeffel

Brazilian Lecturer in Ghana

Picture 1: The Tabom Nii Alasha, extreme left, with Ga Chiefs including Nii Tackie Tawiah.

Picture 2: Nii Azumah III with from left to right on the front row Naa Abiana II, Queen Mother of the Tabom, H.E. Raymundo De Souza Dantas the Ambassador of Brazil to Ghana from 1961 to 1963, Mrs De Souza Dantas, the Ambassador’s wife, and their child between them.  Nii Azumah III on the extreme right and other members of the Tabom Community in the background (1961).

Picture 3: Tabom Mantse Nii Azumah V dancing during the outdooring ceremony at the Stool House (February 26th, 2000).

 

The links between West Africa and Brazil in the Culinary Arts and Food

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 A Brazilian in Ghana – IV

SCHAUMLOEFFEL, Marco Aurelio. The links between West Africa and Brazil in the Culinary Art. Daily Graphic, Accra, v. 149137, p. 14 – 14, 27 maio 2004.
 
The links between West Africa and Brazil in the Culinary Arts and Food

Both Brazilians and Africans have a lot in common in the way that they prepare their meals, not only common ingredients, but also alimentary habits. In Brazil, especially in areas like the Northeast of the country, the region with the biggest African influences, it is very common to see people preparing and selling food on the streets. It can be food like fried “acaraje” (a little spicy ball made of bean paste, onions and fried in palm oil, well-spiced with chilli and filled with a sauce of dried shrimps) or “pastel” (pies of different types e.g. with meat, cheese, chicken, maize or banana). In Ghana they also sell fried or grilled food and fruits. In Brazil and in Ghana the women carry their “shops” over their head or simply install it over a box or a small table at any point that seems to bring good deals in the streets.

One of our national main dishes is “feijoada”. It is stew that combines black beans cooked with pork meat and as accompaniment we eat rice, salad of green leafs of cabbage, roasted cassava flour and oranges. This dish is clearly a creation of Africans in Brazil. In the past unfortunately they were slaves of the Portuguese big landowners and received from them only the offal of meat, when they slaughter e.g. a pig. But they were very creative and cooked with the pork the “feijoada”, since black beans and the other accompaniment like the roasted cassava flour were abundant. We call our roasted cassava flour “farofa”, which is the same than your “gari”. In Brazil and in Ghana we use it accompanying bean dishes. We eat it normally on Saturdays at lunch, because it demands a long time for digestion, so that we can sleep in the afternoon, if necessary, especially if you have before the “feijoada” our national drink, the “caipirinha”, made of lemon, sugar, ice cubes and a sugar cane schnaps.

One of the main foods used by Ghanaians when they prepare their dishes is cassava. Cassava is native from South America. It was used as food by the aborigines (indios) a long time before the discovery of the Continent by the Europeans. It was probably brought to Africa by Afro-Brazilians. In Brazil we call cassava “mandioca”, a term that comes from the aboriginal language Tupi. Because it is wide spread throughout the country, we have, apart from the name “mandioca”, other names for it: “aipim”, “macaxeira”, “castelinha” and “maniveira”. Normally we use only its root, but in the last years we are also using the leaves, because of its high protein values. From the cassava it is also possible to extract alcohol.

Cocoa and coffee are also very common in Brazil and in West Africa. Cocoa is native from Central America. The people called Olmeca in Mexico knew the uses of it already around the year 3000 B.C., amongst other as a drink and in the religious ceremonies. Coffee, on the other hand, is native from Africa, precisely from the province of Kaffa (where the name “coffee” probably comes from) in Ethiopia. Brazil is the main coffee producer in the world, while Cote D’Ivoire is the main producer of cocoa.

A lot of other alimentary habits are the same in our countries. The food street vendors also offer green coconut juice, fried food made with palm oil (“oleo de dende”, originally from Angola), roasted peanuts as a snack, we have also rice as a side dish (not potatoes), we dry the shrimps. Some other habits are similar, but with some differences. We like to eat both cashew fruits and the roasted nuts. Sugar cane is normally sold as fresh juice, not as sticks. As a variation, it can be mixed with lemon or pineapple juice. “Vatapa” is a spicy stew made of fish or chicken, coconut milk, leftover bread, dried and fresh shrimps, roasted peanuts and cashew nuts, palm oil and other spices like onions, parsley and spring onion. “Caruru” is another stew made of fish, shrimps, okra (originally from West Africa) etc., that can be compared to the sauce that you use for the traditional “banku”. We don’t have the habit of eating plantain or yam, even though we have them as a plant.

The similarities in the culinary arts and food available are big, so that a Ghanaian probably will feel at home in Brazil, especially in the Northeast region.

Marco Aurelio Schaumloeffel
Brazilian Lecturer in Ghana


Source: Marco

The influence of the Portuguese Language in Ghana

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 A Brazilian in Ghana – I
SCHAUMLOEFFEL, Marco Aurelio. The African influence on Brazilian Music.. Daily Graphic, Accra, v. 149132, p. 14 – 14, 21 maio 2004.

The influence of the Portuguese Language in Ghana

Last year, when I arrived in Accra, I was surprised to hear some strange expressions in the English language, even though I’m a Brazilian and English is not my mother tongue. At the traffic lights I could hear people saying e.g. “dash me”. In the dictionary the meaning for the verb “dash” is “to shatter or smash”, which confused me. Searching for a solution, I arrived finally, to my surprise, at a logical explanation: it comes from the corrupted Portuguese “dás-me” (give me). The Portuguese were the first Europeans to arrive at the Gold Coast and build the Elmina Castle in 1482; they started an intensive and horrible slave trade. After that, Africa and Brazil built cultural and origin links, so that Brazil has nowadays, after Nigeria, the second biggest black population in the world. One of this links is the Tabom People, who came back to Accra in 1836, after they bought their own freedom in the Brazilian State of Bahia. Nowadays they have a Brazil House in James Town and roots to the Brazilian culture and language. Their own name Tabom comes from the Portuguese expression “Está bom” (“it’s ok” or “I’m fine”), because on their arrival, they could speak only Portuguese, so they greeted each other with “Como está?” (“How are you?”) to which the reply was “Está bom”, so that the people of Accra started to call them the Tabom People. All these facts can explain, why it is possible to find some influences of the Portuguese language in the everyday life of the Ghanaians. Another very common expression is “palaver” (gossip, to chat), that comes from “palavra” (word). “Panyar” or “panyarring” are terms from the Portuguese “apanhar” (to be beaten or to catch). In the standard English the word “fetish” comes from “feitiço”. “Sabola” is usual in Ewe and comes from the word “cebola” (onion); in Fanti people use the word “paano” for bread, what probably comes from our “pão”.

Family names of the Tabom People like Azumah, Nelson, Antônio or Faustino also show the Brazilian influence. Geographical names of Portuguese origin are very common in Ghana: Elmina (“A mina” – the mine), River Volta (“Rio Volta” – “River U-Turn”), Cape Three Points (“Cabo Três Pontas”), Cape Coast (“Cabo Corso” – in a free translation means “Cape of the Pirate”).

These few examples show us only a part of the influence of the Portuguese language in Ghana, however it is a sign that the own language changes and always displays the cultural, economic, political or social contacts that our people formerly made or is nowadays making. The Brazilian Portuguese also has a lot of influences of African languages, but this could be a theme for another article.

Marco Aurelio Schaumloeffel
Brazilian Lecturer in Ghana

P.S.: Portuguese is together with English and French one of the official languages of the ECOWAS.


Source: Marco

The African influence on Brazilian Music

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 A Brazilian in Ghana – III

SCHAUMLOEFFEL, Marco Aurelio. The African influence on Brazilian Music. Daily Graphic, Accra, v. 149132, p. 14 – 14, 21 maio 2004.

The African influence on Brazilian Music

To think of Brazilian Music without the African influence is simply impossible. The big melting pot Brazil has one of it roots in the African Continent. The contribution of the African element in Brazilian music is vast. Very important influences are the polyrhythmic variations and cadences, which brought, together with the Portuguese and Europeans melodies, new, unexpected creations. The combination of elements of different cultures is responsible for the typical Brazilian music styles like samba, gafiera, choro, pagode, maxixe, maracatu, forró, frevo, embolada, coco (dancing and singing on the beach), lundu (brought by the southern African tribe Bantos)  and the MPB (Música Popular Brasileira).

A lot of percussion instruments were brought from Africa to our country or new ones created by Afro-Brazilians. We have various drums with different sounds. The general name for this kind of drums in Brazil is atabaque. Other instruments are the ganzá, a type of rattle-box, the marimba (xylophone with wooden slats) and the cuíca, a type of small drum with a rod in the inside, that produces a strident sound, when vibrated with the palm of the hands, just to quote a few amongst them of African origin.

The fetishists ritual chants, dramatic dances like Congos, Congadas and Quilombos, the nasal twang in the Brazilian singing voice, some choreographic steps are also Afro-Brazilian musical manifestations.

Drumming, singing and dancing were certainly the first manifestations of the cultural treasure that the Africans brought to Brazil. Already in the year 1610, just a Century after the discovery of Brazil by the Portuguese, it is possible to read a report about an orchestra of 30 Africans musicians in Brazil. The great poet Mário de Andrade refers to the African music as the “pererequice rítmica dos africanos”, i.e. “the vibrating (like a tree frog) rhythm of the Africans”. In the USA they created another very important style for the History of the development of music: the jazz.

Samba is our national product. It comes from “semba” in the Banto language (southern Africa), what means dance and clap the hands in a circle. Apart from the big samba-party in the Sambódromo of Rio de Janeiro (a commercial and nowadays more for tourism purposes street Carnival celebration), the Carnival celebration is a huge democratic ball-room or street party in Brazil, where everybody can take part, sing, dance and enjoy the biggest national celebration, commemorated 40 days before of Easter. The five days of joy and fun start on Friday evening and end on Wednesday at noon. All types of dresses are allowed, from masks and plumes to long white dresses or simply beach shorts and t-shirts. In cities like Rio, São Paulo and Porto Alegre big samba academies, that we call samba schools, present every year a new parade. Each samba school chooses a theme to present, the choice is free, but it is normally an up-to-date choice about politics, environment, general Brazilian reality or an homage to a very important person of the present days or of the past.

In Ghana, I was surprised in the first days of my stay here, when I listened to music. I could find something like Cuban music in it. Researching and reading about it, I knew that in the 1960s and 1970s the West African pop music was influenced by Latin styles. So music is an intercultural manifestation. The band Osibisa recorded in 1976 the famous “Coffee song”, in which they mention Brazil.

One of the symbolic examples of the presence of the African roots in Brazilian Music is our present Minister of Culture, the famous musician Gilberto Gil. He is nowadays together with other Afro-Brazilians like Milton Nascimento, Daúde, Martinho da Vila, Sandra de Sá, Djavan, Jorge Aragão, Robertinho Silva, Jorge Ben amongst many others, proof that we would have only poor developed Brazilian music without African blood and rhythm in our veins. Throughout our History of music we have plenty famous and representative examples of Afro-Brazilians, who wrote decisive lines in the Brazilian music.

By the way: Ghanaians like to tell me that they like so much the Brazilian music, principally salsa and lambada. These types of music are not from Brazil, but this is another story.

Marco Aurelio Schaumloeffel

Brazilian Lecturer in Ghana


Source: Marco

The African influence in Brazil

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A Brazilian in Ghana – II

SCHAUMLOEFFEL, Marco Aurelio. African influence in Brazil. Daily Graphic, Accra, v. 149122, p. 7 – 7, 10 maio 2004.   

The African influence in Brazil

Last time I wrote about the influence of the Portuguese language in Ghana. This influence is certainly tiny, when compared with the African influences in Brazil. The Africans were brought to Brazil by the Portuguese because of the slave traffic. It started less than 50 years after the discovery of Brazil in 1500 by the Portuguese navigator Pedro Álvares Cabral and ended officially in 1831 by decree, but records prove that it continued principally from the Gold Coast (Ghana) and the so called by historians Slave Coast (Togo/Dahomey and Benin) on an illegal basis until 1888, when the slavery was definitively abolished in Brazil. In the most horrific part of our History, Africans, normally sold as captives by enemy African tribes, were used during more than 300 years by the Portuguese colonialists in Brazil as slave workers in the mining of gold and in the sugar cane and coffee farms, as domestic servants in the houses of the their masters or as urban workers. Many of them developed skills such as special agriculture techniques, water-well installation, carpenter, tailoring, metal works, especially gold smithing. The biggest part of Africans went to Brazil and never again returned to their homeland. The whole slave traffic History in the Gulf of Benin was very well studied by the Frenchman Pierre Verger and the life of the Africans in the New Continent by Brazilians like Nina Rodrigues. Studies show that approximately half of the Africans brought to Brazil were from West Africa, precisely from castles and ports in Ghana (one of the most significant was the Elmina Castle), Togo, Benin and Nigeria. Of course, captured slaves of the whole region were brought to these castles (Mali, Burkina Faso, Niger amongst others).

Africans from these regions were sent principally to the Brazilian State of Bahia. Logically we can conclude that the African influence in Brazil must be big, because the Portuguese not only dragged humans as working power away, those human beings also had a soul and knowledge in many spheres, so that they brought their own culture, habits, foods (way of cooking), costumes, music, dances and language to Brazil. The figures below show us more clearly the presence of Africans in Brazil: if we take as example the data of the Brazilian population in the year 1818, it shows that 2,515,000 inhabitants of a total of 3,817,000 were Africans or of African origin (66% of the total). Nowadays the distribution of our 170 Million Population is more or less the same.

Walking in the streets in Brazil, we can not clearly classify the origin of the population by their appearance, like it is here in Ghana. In my country in principle both oburoni and obibini are Brazilians. By the way: it is considered an offence in my country to call unknown people at the streets by their skin colour. We have skin colour graded from black to white, from red to yellow, from bright to dark brown.

Nowadays the influence of different African cultures in Brazil is very clear and enriching. We are a melting pot, not only of various African cultures, but also of cultures of various peoples from Europe (Portuguese, Italian, German, Polish, Spanish people amongst others) and Asia (specially Japanese and Chinese people). In the next articles, I will tackle the African influences in aspects like music (e.g. our present Minister of Culture is black, the famous singer Gilberto Gil), religion, language, arts, economy and others in the Brazilian society.

Marco Aurelio Schaumloeffel

Brazilian Lecturer in Ghana

História do Povo Tabom

Tabom – The Afro-Brazilian community of Accra

Causa estranheza chegar em Gana e ouvir falar de um povo chamado „Tabom“. Os Tabom formam uma comunidade brasileiro-ganense, de ex-escravos, que voluntariamente retornaram à África de seus antepassados, depois de terem comprado sua liberdade no Brasil*. Como na sua chegada a Gana somente sabiam falar português, usavam os cumprimentos conhecidos “Como está?” e a resposta “Tá bom”, daí provavelmente a origem do nome dado a eles pelo povo Ga, que os recebeu amigavelmente.

Nii Alasha, na extrema esquerda, filho mais velho de Azumah Nelson, com os chefes do povo Ga, incluindo Nii Tackie Tawiah.

Sabe-se de várias comunidades de descentes de brasileiros em solo africano, grande parte delas no Benin, na Nigéria e no Togo, formando clãs com nomes como Souza, Silva ou Cardoso.  Estudos estimam que no Século XIX aproximadamente 10.000 afro-brasileiros libertos voltaram à África. Em vários países da África Ocidental é possível encontrar bairros, escolas e museus com o nome “Brasil”. Em Lagos (Nigéria) há um “Brazil Quarter” e um clube com o nome “Brazilian Social Club”; no Benin há uma escola chamada “École Brésil”. Alguns afro-brasileiros são (ou foram) muito conhecidos em seus países. Um deles foi Sylvanus Epiphanio Kwami Olympio, eleito primeiro presidente do Togo em 1960. O primeiro Chachá do Benin, o chefe e controlador do comércio e da relações com os estrangeiros, foi o afro-brasileiro Francisco Félix de Souza, que ficou muito rico através de seu envolvimento com o tráfico de escravos. Ele teve 53 esposas, 80 filhos e 12.000 escravos. Quando faleceu, deixou de herança a seus descendentes uma fortuna estimada em US$ 120 milhões. A linha real dos Chachás existe até hoje no Togo. O primeiro  Embaixador do Brasil em Gana, Raymundo Souza Dantas, cita em seu livro “África difícil”, ter recebido uma carta de um togolês chamado Benedito de Souza, que alegava ser seu primo (p. 76).

Chefe Tabom Nii Azumah V dançando durante a cerimônia de entronamento realizada em 26 de fevereiro de 2000 na Stool House.

Em Gana, o único grupo significativo de que se tem notícia é o dos Tabom. Segundo relatos, a viagem do Brasil para o Golfo da Guiné foi feita em um navio chamado S. S. Salisbury, oferecido pelo Governo inglês. Em Acra chegaram por volta de 1836, vindos da Nigéria, como visitantes. Foram tão bem recebidos pelo Mantse (chefe) Nii Ankrah, da área de Otublohum (na capital Acra), que resolveram ficar. O líder do grupo na época da chegada dos Tabom a Gana chamava-se Nii Azumah Nelson. A família Nelson tem grande importância entre os Tabom. O filho mais velho de Azumah Nelson e seu sucessor, Nii Alasha, foi grande amigo do ilustre Rei Ga, Nii Tackie Tawiah. Juntos, eles ajudaram no desenvolvimento comercial e na melhoria das condições sanitárias do país. O atual Mantse, Nii Azumah V (foto ao lado, no centro), é descente dos Nelson, conhecidos por também terem a First Scissors House, a primeira alfaiataria do país, fundada em 1854, que, entre outras atividades, tinha a tarefa de fazer uniformes para o exército ganense. Prova dessas habilidades dos Tabom é o Sr. Dan Morton, atualmente um dos costureiros mais famosos em Acra.

Do povo Ga, receberam terras com localizações privilegiadas, em bairros hoje muito conhecidos da capital, como é o caso de Asylum Down, da área próxima à estação central de trens e da região em torno da Accra Breweries; nesses locais  grandes árvores de manga são, ainda hoje, testemunhas da presença dos Tabom. No bairro de North Ridge, há uma “Tabon Street”, que lembra as plantações que eles tinham no lugar. Muitos Tabom atualmente vivem em James Town, uma área hoje pobre, que fica de frente para o mar e próxima ao antigo porto de Acra. Lá há uma rua chamada Brazil Lane, onde está localizada a primeira casa que abrigou os Tabon, a Brazil House. Os Tabom iniciaram o cultivo de manga, mandioca, feijão e outros vegetais, além de trazerem do Brasil várias habilidades como técnicas de irrigação, carpintaria, arquitetura, trabalhos com metais, especialmente os  preciosos, alfaiataria, entre outros, melhorando, dessa forma, a qualidade de vida de toda a população ganense. Além disso, os Tabom contribuíram no campo da religião, uma parte deles no estabelecimento do maometanismo, outra na preservação de cultos religiosos como o shangô. Hoje eles estão completamente integrados a Acra, são aceitos como parte integrante da divisão de Otoblohum.

* Até o presente momento ainda não está claro se eles realmente compraram sua liberdade e decidiram voltar à África, ou se já eram trabalhadores libertos que foram deportados depois da revoltas dos Malês em 1835. Um grande número de afro-brasileiros foi deportado para a África, especialmente os de origem islâmica, que organizaram a revolta. Como os Tabom coincidentemente chegaram a Accra em 1836 e a maioria deles era de islâmicos, a hipótese da deportação não pode ser descartada. Somente estudos aprofundados poderiam provar uma ou outra tese.

Marco Aurelio Schaumloeffel, leitor brasileiro em Gana. 2004©

Nota: Este texto foi originalmente publicado no website da Embaixada do Brasil em Gana de 2004 a 2007 em seu então website brasilghana.org (desativado desde 2007).

Fontes:

– DANTAS, Raymundo Souza. África difícil. (Missão condenada : Diário). Rio de Janeiro : Editora Leitura S/A, 1965.

– Programme of the Swearing In Ceremony of Tabon Mantse Nii Azumah V. February 26th, 2000. Pages 2-3.

– Relatos de integrantes do Povo Tabom gravados pelo autor.



Short History of the Tabom People of Ghana

Tabom – The Afro-Brazilian community of Accra

It was very strange for me as a Brazilian to arrive in Ghana and hear tales of a people called “Tabom”, because of the familiarity of the term with greetings in the Brazilian Portuguese. The Tabom People is an Afro-Brazilian community of former slaves, who decided to come back to the African continent of their ancestors, after they bought their own freedom in Brazil*. When they arrived in Accra they could speak only Portuguese, so they greeted each oth er with “Como está?” (How are you?) to which the reply was “Tá bom”, so the Ga people of Accra started to call them the Tabom People.

Nii Alasha, extreme left, with Ga Chiefs including Nii Tackie Tawiah.

We in Brazil already know about various communities of Afro-Brazilian descendants in West Africa, most of them spread through Benin, Nigeria and Togo. Some studies estimate that in the 19th Century approximately 10,000 former slaves decided to return to Africa. Throughout these countries we can find estates, schools and museums with the name “Brazil”. In Lagos there is an estate called “Brazilian Quarter” and a club with the name “Brazilian Social Club”; in Benin we can find a school called “Ecole Bresil”. In those countries it is very common to find family names like Souza, Silva, Olympio or Cardoso. Some of them were very well known in their countries. One was the late Sylvanus Epiphanio Kwami Olympio who was elected the first President of Togo in 1960. The first Chacha of Benin, that means the chief and controller of trade and relations with foreigners, was the Afro-Brazilian Francisco Felix de Souza, he became very rich due to his involvement in the slave traffic. He had 53 wives, 80 children and about 12,000 slaves. When he died, he left an empire of an estimated 120 Millions Dollars to his successors. The royal line of the Chachas still exists nowadays in Togo. The first Brazilian Ambassador to Ghana arrived in 1961. He was an Afro-Brazilian called Raymundo de Souza Dantas. He cites in his book “Africa dificil”, that he received a letter from a Togolese called Benedito de Souza, who alleged to be his cousin.

Tabom Mantse Nii Azumah V dancing during the outdooring ceremony at the Stool House (February 26th, 2000).

In Ghana, the only representative group of people that decided to come back from Brazil is the Tabom People. They came back on a ship called S. S. Salisbury, offered by the English Government. About seventy Afro-Brazilians of seven different families arrived in Accra, in the region of the old port in James Town in 1836, coming from Nigeria as visitors. The reception by the Mantse Nii Ankrah of the Otoblohum area was so friendly, that they decided to settle down in Accra. The leader of the Tabom group at the time of their arrival was a certain Nii Azumah Nelson. Since that time the Nelson family has been very important to the History of the Tabom People. The eldest son of Azumah Nelson, Nii Alasha, was his successor and a very close friend to the Ga King Nii Tackie Tawiah. Together they helped in the development of the whole community in commerce and environmental sanitation.

At the present moment the Tabom Mantse is Nii Azumah V, descendant of the Nelson’s. The Tabons are also known as the founders of the First Scissors House in 1854, the first tailoring shop in the country, which had amongst other activities, the task to provide the Ghanaian Army with uniforms. Proof of these skills is without any doubt Mr. Dan Morton, another Tabom and one of the most famous tailors nowadays in Accra.

Because they were welcomed by the Ga people and received by their king as personal guests, the Tabons received lands in privileged locations, in places that are nowadays very well known estates, like Asylum Down, the area near to the central train station and around the Accra Breweries. In those areas, the mango trees planted by them bear silent witnesses to their presence. In the estate of North Ridge there is a street called “Tabon Street”, which is a reminder of the huge plantations that they formerly had there. Some of the Tabons live nowadays in James Town, where the first house built and used by them as they arrived in Ghana is located. It is called the “Brazil House” and can be found in a short street with the name “Brazil Lane”.

The Tabons did not arrive poor, but rather with much wealth. Because of their agricultural skills, they started plantations of mango, cassava, beans and other vegetables. They brought also skills such as irrigation techniques, architecture, carpentry, blacksmithing, gold smithing, tailoring, amongst others, which certainly improved the quality of life of the whole community.

Apart from all these contributions, they also influenced the religious life of the community, helping in the definitive establishment of the Islamic religion and the preservation of some African religions that they modified in Brazil, like the shango. Nowadays the Tabons are completely integrated in the Ghanaian society and are a part of the Otublohum Section of the Ga People.

* Up to now it is not very clear, if they really bought their freedom and decided to immediately come back or if they were at that time free workers in Brazil, but were deported after the Male Revolt of 1835. A lot of Afro-Brazilians were deported back to Africa, especially Moslems who organised the Male Revolt. Since they arrived accidentally in 1836 in Accra and most of them were Moslems, it can possibly be the case. Only detailed and deeper studies can prove one of the suppositions.

Marco Aurelio Schaumloeffel, Brazilian lecturer in Ghana. 2004©

Note: This text was originally posted on the website of the Embassy of Brazil in Ghana from 2004-2007 on its then website brasilghana.org (deactivated since 2007).

Sources:

– DANTAS, Raymundo Souza. África difícil. (Missão condenada : Diário). Rio de Janeiro : Editora Leitura S/A, 1965.

– Programme of the Swearing In Ceremony of Tabon Mantse Nii Azumah V. February 26th, 2000. Pages 2-3.

– Conversations with members of the Tabom People, recorded by the author of this text.

Moro no Brasil

 

Moro no Brasil, de Mika Kaurismäki

Neve, vento cortante, frio alojado debaixo da pele. Ponto de partida: escandinávia. Ponto de permanência: Brasil. Ontem assisti em Bremen a Pictureum filme do finlandês Mika Kaurismäki, que mora no Brasil há dez anos, daí se explica o nome dado ao trabalho. Segundo a imprensa alemã, o documentário trata de ritmos nacionais, mais precisamente de samba, sendo uma espécie de  Buena Vista Social Club tupiniquim.  De forma engraçada uma revista faz alusão à diferenças de estilo, diferenciando samba de samba, dizendo que rapidamente se percebe diferenças entre o que parece ser a mesma coisa. Ledo engano. Kaurismäki faz muito mais do que isso. É uma verdadeira viagem musical que se inicia no sertão pernambucano e termina com o Funk’n Lata de São Paulo. Contado histórias pitorescas de personagens reais, o diretor, que viaja pelo interior do Brasil pobre com um velho jipe, mostra de forma nua e bela a simplicidade com que pessoas, muitas vezes sem oportunidade de acesso à instrução institucional, mas com enorme bagagem cultural e musical invejáveis, mostram ritmos e melodias complexas. A verdadeira música popular brasileira – sem maiúsculas ou abreviações – é o enfoque. Mesmo para os brasileiros o filme certamente passa a impressão do pouco que conhecemos desse lindo baú, empoeirado e jogado em algum canto, tão pouco valorizado e mostrado pela imprensa e os meios musicais do Brasil.

A música popular apresentada por Kaurismäki mostra todo o sofrimento, a alegria e a cultura das regiões por ele visitadas. A diversidade impressiona, a simplicidade contagia.

Visto no estrangeiro, certamente o filme peca, pois dá a impressão de que não existam dois Brasis díspares, de que há somente um país, rico musicalmente, miserável em sua infraestrutura. O que para nós parece claro faltou obveizar – me desculpem se crio neologismos – aos estrangeiros, já que primeiro rodou no exterior (e talvez nunca venha aos cinemas brasileiros); faltou a referência ao contexto popular, ao meio no qual esta música brota e está inserida, às discrepâncias que há entre as camadas sociais, à globalização americanizada da classe média. Sem essa didatização, que parece, a princípio, absurda, os menos informados em relação ao Brasil, ou seja, a grande maioria dos europeus, mesmo os que movimentam culturalmente o Velho Continente, deduzirá que somos, por excelência, favelas.

Ver músicos como Silvério Pessoa e Mestre Salustiano é deparar com a essência de um Brasil de beleza bruta, virgem com lábios de mel. Não assista ao filme com pretensões de achar um fim ou um começo. O bom do final é que fica a gostosa sensação de que Kaurismäki elucidou apenas uma migalha dessa vastidão.

Marco Aurelio Schaumloeffel