Por que dizer “sich aposentieren” no Hunsrückisch brasileiro está correto?

Picture

Artigo publicado

Por que dizer “sich aposentieren” no Hunsrückisch brasileiro está correto?

Revista Projekt, número 52, Dezembro de 2014 – ISSN 1517-9281

Artigo em pdf

Revista completa

Por que dizer “sich aposentieren” no Hunsrückisch brasileiro está correto?

Marco Aurelio Schaumloeffel, University of the West Indies, Barbados

Introdução

Você acharia graça se alguém usasse a palavra Fenster em Hochdeutsch (alemão-padrão) ou a palavra armazém em português? Provavelmente não, por considerá-las palavras que fazem parte do léxico, do vocabulário “normal” destas línguas. Contudo muitos acham graça e até mesmo consideram erro crasso alguém usar palavras provenientes do português nas variantes dos dialetos Hunsrückisch[1] falados no Brasil. Taxam o Hunsrückisch de “alemão-de-capoeira”, “língua de colono pobre e coitado”, “coisa de ignorante”, “língua de gente que não sabe falar direito”, “alemão errado”, para me restringir a apenas alguns dos termos que já ouvi pessoalmente.

O objetivo deste curto artigo é esclarecer, desmistificar e explicar de forma simples os motivos pelos quais palavras do português são emprestadas, incorporadas e usadas na língua que muitos falam como sua língua materna, especialmente no sul do Brasil.

O Empréstimo Linguístico

As afirmações acima sobre o Hunsrückisch brasileiro não passam de preconceito linguístico, devido ao status social a ele conferido ao longo dos anos. O preconceito linguístico é “mais precisamente o julgamento depreciativo, desrespeitoso, jocoso e, consequentemente, humilhante da fala do outro (embora preconceito sobre a própria fala também exista)” (Scherre 2008, p.12). Estas afirmações acerca do Hunsrückisch brasileiro não possuem, contudo, nenhuma base lógica ou correta do ponto de vista científico dos estudos em Linguística. Cabe aos estudiosos das línguas a análise e a contextualização de fenômenos que ocorrem dentro dos mais diversos aspectos da gramática e do vocabulário. Para que entendamos melhor o fenômeno do uso de palavras do português no Hunsrückisch brasileiro, gostaria de brevemente mencionar a origem das duas palavras mencionadas acima como desencadeadoras dessa reflexão: Fenster e armazém, presentes no alemão e no português atuais, respectivamente.

Essas palavras são aparentemente triviais e fazem parte inquestionável de sua respectiva língua, mas, historicamente, elas também são fruto de empréstimos linguísticos[2]. Em termos simples e sem entrar em nuances e detalhes de como ocorre esse fenômeno, um empréstimo linguístico é a transferência, o empréstimo de um termo de uma língua para outra. Há vários motivos pelos quais empréstimos linguísticos são feitos, mas de forma generalizada podemos afirmar que eles ocorrem principalmente porque um determinado termo não existia no momento de sua incorporação na nova língua ou porque o novo vocábulo viria substituir um termo anterior, o qual talvez tenha caído em desuso ou que, p. ex., possa ter perdido seu status de uso no dia-a-dia. Há, ainda, casos de empréstimos que são incorporados com a finalidade de desambiguação.  No português atual, p.ex., a palavra inglesa off parece ter um status maior, ao menos nos shoppings, do que a palavra desconto, embora muitos talvez nem saibam exatamente o que off signifique.

Voltemos, contudo, aos exemplos mencionados acima. A palavra alemã Fenster deve sua origem ao latim; após algumas transformações linguísticas bastante comuns (alterações fonéticas e morfológicas), o termo latino fenestra (janela) transformou-se em Fenster. No português temos a palavra defenestrar (jogar/jogar-se pela janela), proveniente da mesma fenestra latina.

Já a palavra armazém no português é de origem árabe: al-makhzan, um lugar para guardar mercadorias, depósito; é daí que também surge a palavra portuguesa magazine[3].

Qual o objetivo de usar essas duas palavras? Elas servem para ilustrar como as línguas recorrem a termos de outras línguas e os incorporam, a ponto de nem serem mais identificadas como provenientes de outro idioma. Esse é um recurso muito normal, difícil de ser percebido em palavras mais antigas como armazém e bem mais fácil de ser identificado em palavras como sanduíche (obviamente proveniente do inglês sandwich). Algumas vezes, até mesmo alteramos o sentido de palavras quando empréstimos linguísticos são feitos: lunch (que em inglês significa “almoço”) vira lanche, que em português significa uma “refeição rápida ou pequena”.

Esse tipo de incorporação, porém, não permite que nós afirmemos que o português deixou de ser português porque agora usa as palavras armazém e lanche, ao invés de outras equivalentes que talvez já tenham caído em desuso ou quem sabe nunca tenham existido. Se assim fosse, seríamos privados de milhares de palavras; talvez só um punhado de palavras “genuínas”, o que quer que isto signifique, ficariam a nossa disposição.

O Caso do Hunsrückisch Brasileiro

O mesmo fenômeno ocorre com o Hunsrückisch brasileiro. Os alemães que imigraram para o Brasil nem sempre sabiam falar o alemão-padrão; em muitas áreas do novo mundo, o Hunsrückisch se estabeleceu como língua-padrão, por ter sido a língua da maioria (cf. Altenhofen 1996, Damke 1997 e Pupp Spinassé 2008). Ele funcionava como uma espécie de língua-franca, pois a origem de muitos imigrantes nem sequer era a região do Hunsrück, mas sim outras partes da área onde hoje estão situadas a Alemanha, a Áustria, a Suíça e até mesmo partes da França e da Polônia atuais, onde se falava alemão. Grande parte dessa imigração ocorreu de 1824 até o final daquele século. As comunidades se formavam e muitas vezes ficam isoladas, sem contato algum com a área de língua alemã dos antepassados, e algumas vezes até mesmo de certa forma isoladas em relação a outras áreas do próprio Brasil, onde se falava português, italiano e outras línguas.

As línguas são extremamente dinâmicas, apesar de muitas vezes nem nos darmos conta de que elas funcionam assim. Como exemplo anedótico, pensemos em uma pessoa dos anos de 1950, que tenha sido guardada em uma caixa naquela época e que só tenha sido libertada recentemente para ver o mundo dos nossos dias. Será que ela saberia do que estamos falando se citássemos termos como celular, computador, impressora, fibra ótica, crédito pré-pago, DVD, curtir e postar na rede social, entre outras centenas de verbetes e expressões? Certamente não, essa pessoa se sentiria completamente perdida, como se estivéssemos falando em outra língua ou “com códigos secretos”.

Algo parecido se deu com o Hunsrückisch brasileiro. Ele passou a existir de forma relativamente isolada em relação às variedades faladas na região do Hunsrück na Alemanha. Em compensação, porém, ele passou a conviver com as variantes do português brasileiro e, em algumas circunstâncias, também em contato com outras línguas europeias faladas no Brasil. Essa situação de contato é condição necessária para que haja um ambiente propício para a ocorrência de empréstimos linguísticos. Se nós já fazemos empréstimos de línguas com as quais sequer estamos em contato direto, então imaginemos a situação do Hunsrückisch no Brasil.

Além do desenvolvimento independente da língua de origem, com o passar do tempo, novas invenções surgiram e, com ela, a necessidade de criar ou emprestar centenas de palavras. Como “batizar” a televisão em Hunsrückisch brasileiro, se o termo do alemão-padrão não é conhecido e não está à disposição? Inevitavelmente a solução é recorrer à língua com a qual se está em contato, daí surge a solução e o nome do objeto, já adaptado à fonética do Hunsrückisch brasileiro: televisón. A outra solução é recorrer à criatividade e usar termos disponíveis na própria língua para criar a nova palavra: Bildakaschte (junção dos termos alemães “Bilder” e “Kasten”, significando em tradução direta para o português “caixa de imagens”), palavra que ocorre em algumas regiões e é uma variante de televisón. Nada de errado e nem de absurdo nisto, apenas um fenômeno linguístico passível de ocorrer em línguas vivas. Ou de onde os alemães teriam tirado a palavra Fernsehen (fern – longe, sehen – ver)? Ela é formada exatamente como televisão (do grego tele – longe, em junção com o latim visione – visão).

Em suma, quando um falante de Hunsrückisch brasileiro diz que o seu avô hot sich endlich aposentiert[4] (“finalmente se aposentou), ele não comete nenhum erro, nenhum atentado absurdo à língua, nem demonstra que é pouco inteligente. Ao contrário, mostra como a língua é dinâmica, como ela pode se adaptar às necessidades e aos fatos do dia-a-dia. Ele demonstra, na verdade, que sua língua funciona perfeitamente como instrumento de comunicação, com regras gramaticais e fonéticas definidas, exatamente como qualquer outra língua. Inclusive, sequer foge à regra de ter exceções gramaticais. Com a expressão usada, esse falante exprime exatamente o que tem de ser dito para que a comunidade de falantes entenda o que pretende dizer. Ao contrário, se fosse arrogante e quisesse mostrar o quão é “versado”, dificilmente seria entendido pelos falantes do Hunsrückisch ao recorrer à expressão usada atualmente na Alemanha para dizer a mesma coisa: er ist in Rente gegangen ou er ist in den Ruhestand gegangen.

Conclusão

O preconceito em relação a este fantástico e completo sistema de comunicação que é o Hunsrückisch brasileiro, um verdadeiro tesouro que carrega dentro de si a cultura e a história de um povo, infelizmente ainda persiste. A falta de conhecimento em relação ao Hunsrückisch gera desconsideração. Uma pena que ainda haja alguns professores, inclusive de alemão, que ignorantemente desprezam o Hunsrückisch, procurando uma superioridade fantasiosa calcada em sua própria arrogância e ignorância acerca do funcionamento linguístico e orgânico de um sistema completo de comunicação oral, como é o caso do Hunsrückisch brasileiro.

O objetivo deste curto artigo foi demonstrar o quão importante é a reflexão e a compreensão adequada de fenômenos como o bilinguismo entre os descendentes de alemães, italianos, japoneses e de outras etnias, inclusive as indígenas, no Brasil. Não há justificativa científica para procurar eliminar o bilinguismo entre os falantes no Brasil, não há justificativa lógica nem prática para tal. Ser bilíngue é uma vantagem no mercado de trabalho no mundo todo, mas em nosso caso também é uma questão de não ignorar, apagar ou menosprezar a própria história. Somos o que somos, somos quem podemos ser.

 

Referências

ALTENHOFEN, Cléo Vilson. Hunsrückisch in Rio Grande do Sul. Ein Beitrag zur Beschreibung einer deutschbrasilianischen Dialektvarietät im Kontakt mit dem Portugiesischen. Stuttgart: Steiner, 1996.

BARANOW, Ulf Gregor. Studien zum deutsch-portugiesischen Sprachkontakt in Brasilien. Tese de Doutorado. München: Ludwig-Maximilians-Universität, 1973.

DAMKE, Ciro. Sprachgebrauch und Sprachkontakt in der deutschen Sprachinsel in Südbrasilien. Frankfurt am Main: Peter Lang, 1997.

PUPP SPINASSÉ, Karen. Os imigrantes alemães e seus descendentes no Brasil: a língua como fator identitário e inclusivo. Conexão Letras. Porto Alegre: PPG-Letras, UFRGS, 2008, vol. 3, n. 3, p. 125-140.

SCHAUMLOEFFEL, Marco Aurelio. Interferência do Português em um Dialeto Alemão Falado no Sul do Brasil. Bridgetown: Lulu, 2007.

SCHERRE, Maria M. P. Entrevista sobre Preconceito Linguístico, variação e ensino concedida a Jussara Abraçado. Caderno de Letras da UFF – Dossiê: Preconceito linguístico e cânone literário, n. 36, p. 11-26, 1. Sem., 2008.

WEINREICH, Uriel. Sprachen in Kontakt. München: Beck, 1976.

NOTAS

[1] Optou-se pelo termo Hunsrückisch brasileiro neste artigo para deixar claro que o autor se refere às variedades dele faladas no Brasil. Geralmente se diz que as variantes do alemão do Brasil são, predominantemente, originárias do Hunsrück. É importante, porém, frisar que não existe apenas uma variante naquela região (e nem no Brasil) que possa ser denominada assim. Há diversas variedades, embora com grande parte dos seus sistemas em comum. Desse modo, pode-se falar na Alemanha, por exemplo, de variedades como o Moselfränkisch e o Rheinfränkisch; este último, por sua vez, engloba variedades de Hessisch e Pfälzisch (Schaumloeffel 2007, p. 32-33). Para obter mais detalhes sobre o Hunsrückisch, recomendamos os estudos de Altenhofen (1996), Baranow (1973) e Damke (1997).

[2] Há muitos estudos sobre o fenômeno dos empréstimos linguísticos. Para maiores detalhes consulte p. ex. Weinreich (1976).

[3] Dicionários etimológicos são instrumentais para o estabelecimento da origem dos empréstimos linguísticos. Como os dois exemplos aqui citados são relativamente bem conhecidos, nenhum dicionário etimológico foi consultado. Porém, até mesmo uma consulta rápida on-line permite confirmar a sua origem. Para armazém veja http://www.dicionarioetimologico.com.br/ e para Fenster consulte http://www.duden.de/.

[4] Assim como muitas palavras, o verbo “sich aposentieren” (aposentar-se) apresenta diferentes variantes nas mais diversas regiões. Ele p. ex. também pode ser realizado como “sich aposehtere”, “sich aposentehren”, “sich aposentiere”. O sistema de aposentadoria só passou a existir em 1889 na Alemanha, portanto, provavelmente não beneficiava nem era conhecido pelos imigrantes alemães do Hunsrück no momento em que a maioria deles imigrou para o Brasil. O autor deste artigo é falante nativo da variedade Hunsrückisch falada em Boa Vista do Herval, localidade do município de Santa Maria do Herval – RS, e os exemplos citados aqui constam no corpus por ele coletado com mais de 13 horas de gravações feitas com 36 entrevistados selecionados de acordo com critérios sociolinguísticos (Schaumloeffel  2007).

Empréstimos Lingüísticos do Português nas Línguas Faladas no País dos Tabons

Printed Article – Portuguese

Português – artigo separado
Empréstimos Lingüísticos do Português nas Línguas Faladas no País dos Tabons
Empréstimos Lingüísticos do Português nas Línguas Faladas no País dos TabonsEste artigo de 29 páginas investiga os empréstimos de palavras e expressões do português em algumas das diversas línguas faladas no Gana. Este fenômeno foi causado pela presença portuguesa naquela área, iniciada em 1471, e pelo fenômeno dos retornados vindos da Bahia, lá chamados de “Tabom people”, ocorrida no início do Século XIX. Disponível nos formatos impresso e arquivo eletrônico. 29.09.2011

Möglichkeiten und Grenzen des Computereinsatzes in brasilianischen Schulen

Book – German
Möglichkeiten und Grenzen des Computereinsatzes in brasilianischen Schulen
Möglichkeiten Und Grenzen Des Computereinsatzes In Brasilianischen SchulenDieses Buch analysiert die Möglichkeiten und die Grenzen des Computereinsatzes in Schulen, spezifisch im Bereich Deutsch als Fremdsprache.
ISBN 1-44046031-0   EAN 978-1440460319
Publication Date: Mar 30 2009
Page Count: 76
Categories: Language Arts & Disciplines / Linguistic

Interferenz des Portugiesischen im deutschen Dialekt von Boa Vista do Herval, Rio Grande do Sul

Picture

Artikel in den Tagungsakten des VI. Brasilianischen Deutschlehrerkongresses und des I. Lateinamerikanischen Deutschlehrerkongresses, São Paulo, Brasilien, 27.07.2006

“Deutsch in Südamerika: Neue Wege – Neue Perspektiven”

Inhaltsverzeichnis: http://www.abrapa.org.br/cd/beitrage.htm

Artikel
SCHAUMLOEFFEL, Marco Aurelio. Interferenz des Portugiesischen im deutschen Dialekt von Boa Vista do Herval, Rio Grande do Sul. In: I Congresso Latino-Americano de Professores de Alemão & VI Congresso Brasileiro de Professores de Alemão, 2006, São Paulo, Brasil. Tagungsakten des VI. Brasilianischen Deutschlehrerkongresses. São Paulo: Abrapa, 2006

http://www.schaumloeffel.net/textos/interferenz.pdf


Source: Marco

Interferência do Português em um Dialeto Alemão Falado no Sul do Brasil

Book – Portuguese and Hunsrückisch

Português/Hunsrückisch
Interferência do Português em um Dialeto Alemão Falado no Sul do Brasil

Este livro descreve e analisa o estado atual do dialeto Hunsrück de Boa Vista do Herval (DBVH), uma pequena comunidade no RS, Brasil (20km de Gramado). Os dados apresentados baseiam-se em transcrições de quase 20 horas de gravações com 36 falantes, selecionados segundo critérios sociolingüísticos. O ponto central é a análise das interferências do português no DBVH, tanto no âmbito gramatical (gênero, verbos, formação de plural etc.) quanto no lexical-semântico (palavras de várias áreas: família, cozinha, profissões, tecnologia etc.).
ISBN: 978-1-4303-0725-9

Este livro pode ser encontrado aqui:

Interferência do Português em um Dialeto Alemão Falado no Sul do Brasil

O Dialeto Hunsrück de Boa Vista do Herval: materiais complementares (transcrições, tabelas, fotos etc.).

Interference of Portuguese in a German Dialect spoken in Southern Brazil – Hunsrückisch is spoken by the bilingual community of Boa Vista do Herval (BVH), situated in Southern State of Rio Grande do Sul and composed by descendants of Germans who immigrated to Brazil almost 180 years ago. The book draws the historic and sociolinguistic profile of BVH, describes some aspects of its Hunsrückisch, and studies the grammatical, lexical and semantic interferences of Portuguese.

Moskauer Medienkongress 2000. Internet: Konzeptionen Perspektiven

Bericht:

Moskauer Medienkongress 2000. Internet: Konzeptionen Perspektiven

SCHAUMLOEFFEL, Marco Aurelio. Moskauer Medienkongress 2000. Internet: Konzeptionen Perspektiven. Projekt, São Paulo – SP, v. 35, p. 26-26, 2000

Zweite Regionalkonferenz Zielsprache Deutsch zum Thema Deutsch an der Schwelle zum Dritten Jahrtausend in Havanna, Kuba vom 18.03.2000 bis zum 25.03.2000

Picture

Bericht:

Zweite Regionalkonferenz Zielsprache Deutsch zum Thema Deutsch an der Schwelle zum Dritten Jahrtausend in Havanna, Kuba vom 18.03.2000 bis zum 25.03.2000

SCHAUMLOEFFEL, Marco Aurelio; BREDEMEIER, Maria Luísa Lenhardt . Zweite Regionalkonferenz Zielsprache Deutsch zum Thema Deutsch an der Schwelle zum Dritten Jahrtausend in Havanna, Kuba vom 18.03.2000 bis zum 25.03.2000. Projekt, Sao Paulo – SP, v. 35, p. 8-9, 2000.

O uso produtivo dos MOOs para o ensino de línguas

O uso produtivo dos MOOs para o ensino de línguas
Marco Aurelio Schaumloeffel
Mestrado em Lingüística, UFPR

 
Os MOOs (Multi User Domains, object oriented) são ambientes virtuais, nos quais são criados objetos/locais virtuais. Nestes ambientes ocorre a interação. Quem está conectado pode interagir com os outros usuários ou com os objetos/locais virtuais nele existentes. Os MOOs e os Chats são semelhantes. Ambos são “locais” de encontro para o bate-papo entre os usuários. Mas esta característica é apenas uma das dimensões do MOO. O grande diferencial se dá pelo existência de objetos “mudos” que são descritos em forma de texto.No MOO Mundo Hispano encontra-se, p. ex., a descrição de um ambiente virtual denominado “Puerta del Sol” (veja em anexo). Neste MOO há vários ambientes com os quais o usuário pode interagir, há bares, sala de aula (onde pode-se aprender todos os comandos do MOO), avenidas, bibliotecas, aeroportos, etc. Para poder locomover-se, deve-se dar um comando adequado. Caso haja dificuldade neste sentido, basta ir para a sala de aula ou acionar os mecanismo de ajuda que fornecerão os comandos necessários, geralmente acompanhados de exemplos. Em cada ambiente estão descritas algumas caraterísticas típicas. No bar pode-se interagir com um garçom virtual, cumprimentando-o, fazendo pedido de bebidas e comidas, etc. Todas estas simulações são baseadas em texto da língua-alvo. Além destes objetos já existentes, o próprio usuário poderá criar os seus objetos virtuais, com os quais ele e os outros conectados poderão interagir. Mesmo não havendo outras pessoas conectadas ao MOO, o aprendiz de L2 pode fazer uso da língua-alvo através da interação oferecida por estes objetos “mudos”. No bate-papo realizado no MOO Mundo Hispano (em anexo), o autor foi levado por outro usuário de nome “Isis” para um ambiente particular criado (Piramide de la diosa Isis).

Os MOOs constituem um registro com características diferentes no sistema comunicativo. Tradicionalmente afirma-se que há apenas dois tipos de registro: o oral e o escrito. Koch e Oesterreicher (1990) estabelecem, além deste nível, que chamam de Medium, ou seja, meio pelo qual se realizam – ou falado ou escrito -, um outro nível, o da Konzeption, ou seja, como o material expresso através de um meio (Medium) foi originalmente concebido, se de maneira oral ou escrita. Os MOOs não podem simplesmente ser enquadrados em um destes dois registros tradicionais do nível Medium. A comunicação se dá através da máquina, através de texto digitado, mas tem todas as características da comunicação oral, pois há a “conversa” virtual entre as pessoas conectadas. Dessa maneira, temos uma comunicação que utiliza como meio a escrita, mas sua concepção é indiscutivelmente oral.

Esta comunicação, que ocorre de forma parcelada, não deixa de ser virtual, pois ocorre num ambiente virtual, criado para os fins específicos a que se propõe determinado MOO (jogo, desafio, educativo, etc.). A interação entre aqueles que estão conectados naquele momento ao MOO ocorre no espaço virtual, no ciberespaço, mas tem todas as características da comunicação autêntica. Aqui vale lembrar o caso da sala de aula. Temos um ambiente real, mas a comunicação, na grande maioria da vezes é “falsa”, sempre provocada de maneira artificial, pelo professor, com fins específicos (p. ex. treinar o uso de determinados tempos verbais, “usar” as preposições que estão sendo estudadas, etc.). No MOO são criadas situações comunicativas verdadeiras, mesmo que num ambiente virtual, pois há a interação entre aqueles que “dialogam” através desta nova forma de comunicação.

Nesta interação de concepção oral e meio escrito temos uma defasagem de comunicação, ou seja, a comunicação não é instantânea. Sempre há um pequeno espaço de tempo, de alguns segundos, entre o envio e o recebimento de um diálogo, visto que a rede mundial de computadores – a internet – ainda não é rápida suficiente para proporcionar um diálogo simultâneo. Esta limitação tecnológica da rede traz, para o efeito do ensino de línguas estrangeiras, ao contrário do que se podia supor, vantagens. Ela permite que o aluno de L2 tenha tempo maior para poder ler, decodificar, as mensagens por ele recebidas. Por outro lado, também fornece tempo para que possa formular, elaborar a sua resposta, característica singular deste tipo de comunicação real no espaço virtual. Imaginemos os alunos frente à uma situação de comunicação real em um espaço real. Dificilmente haveria a possibilidade – e o tempo suficiente – para elaborar e decodificar as mensagens. O aluno teria que contar ou com a paciência do interlocutor ou ambos passariam, p. ex., para uma terceira língua em comum ou apelariam para a linguagem dos gestos. Esta limitação tecnológica já entra nesta forma de comunicação como regra estabelecida, sendo pré-condição que deve ser aceita por ambas as partes.

Diversas pesquisas já mostraram que o uso de computadores no ensino aumenta sensivelmente a motivação do alunos. Mesmo depois de passada a fase inicial da curiosidade, a motivação permanece. No caso dos MOOs, o aluno que se conecta a um desses “espaços virtuais” tem a possibilidade de falar com alguém sobre aquilo que lhe interessar, não precisando adequar-se ao assunto tratado em aula, muitas vezes “proposto” pelo professor. Cabe ressaltar que esta conversa é sem algum compromisso, oferecendo a oportunidade de falar sobre aquilo que interessar (na sala de aula há, p. ex., o compromisso de obter uma boa nota), fluindo evidentemente de maneira mais natural. O padrão normal para este tipo de conversa no espaço virtual é o registro coloquial. O fator pessoal oferecido por este tipo de comunicação é decisivo quanto à motivação. Os MOOs proporcionam um contato mais fácil, tornando a comunicação mais simples, sem os entraves (preconceitos, timidez, etc.) da vida real. O anonimato conferido por este tipo de conversa, dá, ao mesmo tempo, maior proteção e liberdade.

Ao ingressar e participar ativamente de um MOO, o usuário criará automaticamente uma personalidade virtual, o que exigirá dele criatividade. Delinear sua personalidade virtual, às vezes uma nova a cada nova conexão, é um aspecto produtivo muito interessante para os fins proposto pelo ensino de L2.

Pelo simples fato da comunicação num MOO ocorrer num espaço virtual, vale fazer uma observação. Assim com no espaço real, as discussões em grupo num MOO sempre exigem uma determinada “discussão” a respeito da hierarquia das pessoas envolvidas. No ambiente real, muitas vezes, isto é determinado pelo simples contexto, por gestos, por posição social, etc.; em um MOO, pelo contrário, essa negociação obrigatoriamente deve ocorrer de forma escrita, o que permite implementar a nova forma de comunicação acima discutida.

É evidente que a utilização de um MOO também apresenta alguns problemas. No início o usuário, assim como em qualquer situação nova para o ser humano, pode ficar “perdido”, encontrando dificuldades de manuseio da máquina, com a conexão necessária ou com o próprio software.

A rede mundial de computadores, a internet, é resultado de conexões caóticas, absolutamente desordenadas, fazendo com que seja incontrolável, por enquanto lenta e, em alguns momentos, apresente problemas. Mensagens enviadas nem sempre são recebidas pelos destinatários, por simplesmente “perderem-se” na rede.

Acompanhar as conversas pode ser tarefa difícil para os alunos no início. Alguns conectados já têm um bom traquejo nos MOOs, o que pode trazer problemas para os “novatos”, pois a comunicação pode ser muito real, “muito autêntica”, para o nível de domínio da L2 por parte do aluno. Uso de gírias e expressões idiomáticas é regra neste tipo de ambiente, mesmo porque grande número dos conectados escolhem um MOO de sua língua-mãe.

O software TelNet geralmente é utilizado para as conversas no espaço virtual. Nele há um problema sério: não há a possibilidade de editar as frases, as conversas produzidas, caso o aluno queira relê-las mais tarde ou utilizá-las para outras atividades. Há outros programas melhores, basta acionar as máquinas de busca e procurar na rede. Em alguns MOOs há, em determinados horários do dia, muitas pessoas conectadas ao mesmo tempo. Para o iniciante isto pode ser uma desvantagem. Como a conversa flui muito rapidamente, ele pode perder o “fio da meada”, dando contribuições atrasadas, pois os participantes podem mudar de assunto muito rapidamente, ou, o que também é normal, haver muitas contribuições, de modo que as frases que o iniciante elaborará, de maneira lenta, “desmancham-se” na tela ao entrarem novas frases dos outros participantes. Por outro lado, há momentos em que a rotatividade de conectados é muito grande. Alguns apenas dão um “olá” e já se retiram do MOO, de maneira que, em determinadas situações, o usuário tenha que repetir várias vezes o mesmo diálogo, restrito quase que unicamente aos cumprimentos. Conseguir cativar o interlocutor com perguntas e respostas instigantes pode ser muito importante nestes momentos.

Outra barreira para a desenvoltura na conversa on-line pode ser o teclado. Tudo funciona através dele, desde os “gestos” mais simples, até a expressão de idéias complexas. Ter destreza manual razoável é importante.

Os MOOs, na maioria das vezes, são mais adequados para quem já possui uma certa base de conhecimentos na L2, para poder ter melhor “trânsito” na via virtual. Há as exceções, os grupos criados para a situação especial de aula, que serão adequados aos fins propostos previamente.

Nos MOOs há vários tipos de ambiente, a maioria deles não são criados para fins educativos, foram criados apenas como “local virtual” para facilitar o contato e para, de certa forma, direcionar o assunto da conversa. Alguns desses ambientes são extremamente indisciplinados, assim como também acontece na vida real. Há ambientes onde, p. ex., a pornografia é regra. Escolher, portanto, o ambiente adequado na língua-alvo é também umas das tarefas de quem se propõe a utilizar uma L2 com fins de aprendizagem lingüística.

Por fim, devemos sempre ter em mente que este tipo de recurso informatizado jamais substituirá o ensino “normal” de línguas, de sala de aula, na presença de um professor. Os recursos informatizados, como vimos no exemplo dos MOOs, podem ser um importante auxílio, pois eles acrescentam, complementam o trabalho que normalmente ocorre em sala de aula.

Bibliografia

CHAN, Marsha. No talking, please, just chatting: Collaborative writing with computers. Mission College, Santa Clara, California (marsha_chan@msmail-gw.wnmccd.cc.ca.us) 5 p.

KOCH, Peter; OESTERREICHER, Wulf (1990). Gesprochene Sprache in der Romania: Französisch, Italienisch, Spanisch. Max Niemeyer Verlag, Tübingen.

MARVIN, Lee-Ellen (1996). Spoof, Spam, Lurk and Lag: the Aesthetics of Text-based Virtual Realities. Department of Folklore and Folklife. University of Pennsylvania. 18 p.

McCOMAS, Karen L.; LUCKER, Jay R. (1996). Simulation activities in a virtual environment. Marshall University & St. John´s University. Huntington, WN & Jamaica, NY. 5 p.

RHEINGOLD, Howard (1996). Multi-User Dungeons and alternate identities. The virtual community. Chapter Five. (http://www.well.com/user/hir/vcbook/vcbook5.html)

SANDBOTHE, Mike (1995). Interaktive Netze in Schule und Universität – Philosophische und didaktische Aspekte. Institut für Philosophie. Otto-von-Guericke-Universität Magdeburg. (http://www.uni-magdeburg.de/~iphi/ms/home.html)

WARSCHAUER, Mark (1996). Motivational aspects of using computers for writing and communication. In M. Warschauer (Ed.), Telecollaboration in foreign language learning (pp. 29-46). Honolulu, HI: Second Language Teaching & Curriculum Center (University of Hawai`i Press). 20 p.

WEININGER, Markus J.(1996a) Exemplos do uso criativo de recursos informatizados para o ensino de línguas. UFPR, Curitiba. (www.humanas.ufpr.com.br/delem/deutsch/) 14 p.

WEININGER, Markus J.(1996b) Estudo autônomo com a ajuda de novas tecnologias no ensino comunicativo de línguas estrangeiras. UFPR, Curitiba. (www.humanas.ufpr.com.br/delem/deutsch/) 15 p.

WEININGER, Markus J.(1996c) O uso da Internet para fins educativos. UFPR, Curitiba. (www.humanas.ufpr.com.br/delem/deutsch/) 12 p.

(Versão reduzida sem as notas de rodapé do original)

Anexo
“Conversa” interativa do autor com outros usuários do MOO Mundo Hispano. A conversa iniciou-se no ambiente virtual chamado “Puerta del Sol” É importante observar que o autor está tendo pela primeira vez contato ativo com a língua espanhola.

Puerta del Sol  Este es el eje central de Madrid y tambie’n lo es del MOO. Cuando el viajero se encuentra por primera vez en la Puerta del Sol, puede sentirse un tanto desorientado por el flujo de tra’fico y viandantes hacia y desde las cinco arterias que confluyen en esta magna plaza.
Isis llega a la Puerta del Sol.
Isis saluda a todos
Dices, “Isis, Hola!”
Isis te dice, “como estas??”
Ros ha llegado.
Dices, “Isis, estoy bien. E tu? Tengo un problema….”
Isis dice a Ros, “hola!!”
Mafalda ha llegado.
Isis te dice, “cual problema?”
Ros dice a Isis, “Hola”
Ros dice a Mafalda, “Hola”
Isis saluda a mafalda
Dices, “Isis, Jo no hablo bien espanol…”
Dices, “Ros, Hola!!!”
Ros dice a Mafalda, “de donde eres?”
Isis dice, “no te preocupes..”
Mafalda te dice, “HOLA!! a isis HOLA!!!! :)”
Dices, “Mafalda, Hola!!!”
Ros te dice, “Hola,”
Mafalda dice a Ros, “Holaa!! :)”
Mafalda dice a Ros, “soy de Colombia y tu???”
Ros dice a Mafalda, “Soy de Merida”
Isis le dice que puede acompan~arle.
Dices, “Isis, Jo soy de Brasil!!”
Ros dice a Mafalda, “que estudias ?”
Mafalda dice a Ros, “estoy en 3o. de administracion”
Ros te dice, “Con razon hablas asi”
Mafalda te dice, “y que estudias??”
Ros dice a Mafalda, “estudio sistemas comp.”
Tienes la sensacio’n de que Isis te esta’ buscando en Piramide de la diosa Isis.
Isis dice, “teclea @join isis”
Dices, “Jo soy de po’s-graduacion aca en Brasil!!”
Tienes la sensacio’n de que Isis te esta’ buscando en Piramide de la diosa Isis.
Isis dice, “ah no ni idea…ya casi no hablamos..”
Ros dice a despido, “de todos … gusto en conocerlos”
@join isis
Usando el conjuro apropiado llegas hasta donde esta Isis.
Piramide de la diosa Isis
Bienvenidos a mi piramide….aun no ves nada, pero dentro de poco podras verla bien adornada…espero te sientas a gusto..
Isis esta’ aqui’.
Isis te saluda.
Isis dice, “y como te llamas??”
Dices, “Jo me llamo Marco, soy novato en Moos!!”
Isis dice, “ahhh…y yo me llamo Sheila”
Dices, “Gracias por terme ajudado. Estas mucho tiempo en internet?”
Isis dice, “oye… de nada…”
Isis dice, “si me gusta mucho estar aqui”
Isis dice, “y que haces, estudias??”
Dices, “si a mi tambien (el espanol es muy dificil!!!)”
Isis dice, “hablas ingles??”
Dices, “no hablo aleman e estudio linguistica!”
Isis dice, “ahhh que bien..”
Adan se teletransporta aqui’.
Isis dice, “yo estudio Admon de empresas”
Isis saluda a adan
Adan le da la mano a isis y se presenta!
Isis dice a Adan, “como estas??”
Dices, “Esta’a en la universidad o en tu casa?”
Dices, “Hi, Adan”
Adan dice, “estoy bien!”
Isis dice, “”si..estoy en la U..”
Adan te da un amigable apreto’n de manos.
Adan te dice, “hola, como estas??”
Isis dice a Adan, “que estudias??”
Dices, “Sorry, Adan no coneco los comandos deste Moo!!!”
Adan estudio sist. computarizado con inf. gerencial
Isis dice, “que chevere!!!”
Dices, “what means chevere?”
Isis dice, “chevere es….COOL!!”
Dices, “Gracias!!”
Adan dice, “significa ‘bien… ”
Isis dice, “y que cuentan??”
Dices, “Sorry, estoy baguncando aca'”
Adan ohh esta bien
Isis te dice, “vagando??”
Isis dice, “ahh que pereza!!”
Dices, “No baguncando en Brasil means estoy haciendo una confusion ”
Isis te dice, “ahhh…sorry..”
Dices, “Qui es pereza?”
Adan dice, “regreso enseguida”
Adan se ha desconectado.
Isis dice, “mmm pereza es boring”
Dices, “Sorry, no compreendo!”
Dices, “En qual cidade est’as?”
Adan se ha conectado.
Adan dice, “hola”
Adan dice, “ya llegue!!”
Dices, “Hola, Adan, de vuelta?”
Adan dice, “si es que me estaba cambiando de computadora”
Adan dice, “isis por que no tienes novio??”
Dices, “SO, jo pretendo escribir un trabajo sobre moos en el ensino de lenguas!”
Isis dice, “hola de nuevo”
Isis dice, “y bueno…de que hablamos??”
Adan te pregunta el por que no tienes novio
Isis dice, “tan aburridos??”
Dices, “Isis, en cual cidade esta’s?”
Isis dice, “yo soy de Bogota ”
Isis dice, “tu en que ciudad de Brazil vives??”
Dices, “Isis, yo soy de Curitiba! Ja ouviu hablar de ella?”
Isis dice, “no…no la he escuchado..”
Adan dice, “donde queda ese lugar??”
Dices, “Isis, Curitiba tiene 1.600.000 habitantes!!!”
Isis dice a Adan, “en Brazil..”
Isis dice, “Bogota tiene 6’500.000 mas o menos”
Isis dice a Adan, “tu ciudad es grande o pequen~a??”
Dices, “Isis, coneces el samba?”
Isis dice, “si…jeje”
Isis dice, “que musica te gusta??”
Dices, “Isis, como se llama la musica tipica de Colombia?”
Isis dice, “te gusta SODA STEREO???”
Adan vive en una isla pequen~a con 3.600.000
Isis dice, “la tipica…haber….cumbia…vallenato..”
Isis dice, “bambuco..”
Adan dice, “el vallenato me gusta mucho!”
Dices, “como es el bambuco?”
Adan dice, “y la cumbia tambien”
Isis dice, “el bambuco…hmmm no se como decirte..”
Dices, “tiene instrumentos de sopro en el bambuco?”
Isis dice, “de vallenato solo me gusta Carlos vives…de resto no..”
Isis dice, “es que no se mucho de bambucos..}”
Isis dice, “me gusta mucho el rock..”
Adan dice, “y en Brasil???”
Isis dice, “tu fuiste a rock en rio II ??”
Isis dice, “disque estuvo super!!!”
Dices, “No jo era nin~o!!”
Isis dice, “y cuantos an~os tienes??”
Dices, “El rock’n Rio es muy hablado!!!”
Dices, “Tengo 22!!”
Isis dice, “super!!! estavieron mis grupos favoritos!!”
Isis te dice, “pero enotnces no eras tan nin~o porque eso fue hace 5 an~os…”
Adan se teletransporta afuera.
Isis dice a adan, “y tu cuantos??”
Dices, “Isis, cuantos an~os tienes tu?”
Isis dice, “19 ”
Dices, “Si, correcto, pero el Rock’n Rio I, el mas famoso fue en 1985”
Dices, “Rock’n Rio II passo desapercebido!!”
Dices, “Rio tiene condiciones para obter la Olimpiada de 2004? Jo pienso que no…”
Isis dice, “ni idea!”
Tienes la sensacio’n de que Isis te esta’ buscando en Puerta del Sol.
Isis dice, “teclea @join isis”
Dices, “Tchau Isis, tengo que salir!!!”
@salir
*** Disconnected ***

Source: Marco