Decalques do Português no Hunsrückisch falado no Rio Grande do Sul

Decalques do Português no Hunsrückisch falado no Rio Grande do Sul

Marco Aurelio Schaumloeffel

Apresentação durante o VI Encontro do Grupo de Estudos de Línguas em Contato
7 a 9 de dezPictureembro de 2015, Universidade Federal da Bahia, Salvador – BA

 

 

 

Resumos (Página 57)
Site do evento
PowerPoint da Apresentação: favor solicitar por e-mail
Além da apresentação, também ocorreu a participação no minicurso ‘Language contact/genesis and grammatical development” ministrado por Claire Lefebvre, Université du Québec à Montréal, Canadá.

Abstract

Decalques do Português no Hunsrückisch falado no Rio Grande do Sul

Marco Aurelio Schaumloeffel
Brazilian Studies, The University of the West Indies, Cave Hill Campus, Barbados

O objetivo deste estudo é fazer o levantamento e verificar como ocorre o processo de formação de decalques na variante alemã Hunsrückisch (HR) falada em uma comunidade bilíngue do interior do Rio Grande do Sul. O uso concomitante do Português (PT) e do HR gera um ambiente propício à interferência linguística (cf. Weinreich 1953 10; Juhász 1980) recíproca. Os decalques são o resultado sedimentado das interferências linguísticas que ocorrem em comunidades bilíngues (Schaumloeffel 2007 47) e consistem, especificamente neste estudo, na tradução de empréstimos, na ressemantização (Biderman 2006 36) de termos vindos do PT. Em vez de simplesmente serem adotadas as palavras ou as expressões do PT, como, p.ex., na apropriação lexical, é feita a substituição e elementos correspondentes da língua receptora passam a ser usados. Quando ocorre o decalque, não ocorrem apenas processos semânticos, mas também sintáticos e pragmáticos. O significado no HR permanece equivalente ao do PT; o resultado, porém, é a criação de uma estrutura gramatical ou de uma expressão ou termo antes inexistentes no HR. A análise dos decalques no HR foi feita a partir dos dados levantados em gravações com 36 moradores da localidade de Speckhof, no município de Santa Maria do Herval – RS. Os informantes foram selecionados de acordo com critérios sociolinguísticos como faixas de idade, sexo, grau de escolaridade, religião e fonte de renda com o objetivo de verificar se há graus diferentes de ocorrência de decalques entre os diversos estratos estabelecidos. O estudo verificou a existência de decalques da estrutura sintática, com o verbo em posição diferente da normalmente exigida (P2) no HR, e a ocorrência relativamente produtiva de decalques semânticos provenientes de expressões lexicalizadas do PT.

 

Brasilianisches Hunsrückisch schreiben? / Escrever o Hunsrückisch brasileiro?

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Brasilianisches Hunsrückisch schreiben? / Escrever o Hunsrückisch brasileiro? Perguntas e discussões essenciais.
Marco Aurelio Schaumloeffel


Präsentation während des 9. Brasilianischen Deutschlehrerkongress – Deutsch (über)Brücken – 22.-24. Juli 2015
Universidade do Vale do Rio dos Sinos – São Leopoldo – RS – Brasilien


Programm + Abstracts ISSN 2446-9092 (Abstract auf Seite 30)
Website des Kongresses

PowerPoint der Präsentation: bitte per E-Mail anfragen/solicitar por e-mail
Abstract
Brasilianisches Hunsrückisch schreiben?
Marco Aurelio Schaumloeffel
Brazilian Studies, The University of the West Indies, Cave Hill Campus, Barbados


Ziel dieser Präsentation ist grundsätzlich zu diskutieren, warum und ob man das brasilianische Hunsrückisch (Riograndensisch, Katharinensisch und ihre Varianten) schreiben soll. Anhand dieser Frage, werden die Vor- und Nachteile einer eventuellen Festlegung einer Schreibweise analysiert und was diese unbedingt im Kontext der Komplexität und Vielfalt der Varianten beinhalten und berücksichtigen müsste. Beispiele aus zwei komplett unterschiedlichen Kontexten, nämlich aus der Schweiz und den ABC-Inseln (Aruba, Bonaire und Curaçao in der Karibik), wo Schweizerdeutsch bzw. Papiamentu gesprochen wird, zeigen auf mögliche Wege zu Lösungen auf diese Frage. Bereits existierende Vorschläge von Schreibweisen für das brasilianische Hunsrückisch werden unter den erstellten Kriterien auf ihre Anwendbarkeit und Funktionalität getestet und analysiert.

Afro-Brazilian Diaspora in West Africa: The Tabom in Ghana

Chapter in Book

Afro-Brazilian Diaspora in West Africa: The Tabom in Ghana
Marco AureliPictureo Schaumloeffel

Book – Another Black Like Me: The Construction of Identities and Solidarity in the African Diaspora. Edited by Elaine Pereira Rocha and Nielson Rosa Bezerra
ISBN-13: 978-1-4438-7178-5
01 Feb 2015
Pages: 185-199

 

Book Description
This book brings together authors from different institutions and perspectives and from researchers specialising in different aspects of the experiences of the African Diaspora from Latin America. It creates an overview of the complexities of the lives of Black people over various periods of history, as they struggled to build lives away from Africa in societies that, in general, denied them the basic right of fully belonging, such as the right of fully belonging in the countries where, by choice or force of circumstance, they lived. Another Black Like Me thus presents a few notable scenes from the long history of Blacks in Latin America: as runaway slaves seen through the official documentation denouncing as illegal those who resisted captivity; through the memoirs of a slave who still dreamt of his homeland; reflections on the status of Black women; demands for citizenship and kinship by Black immigrants; the fantasies of Blacks in the United States about the lives of Blacks in Brazil; a case study of some of those who returned to Africa and had to build a new identity based on their experiences as slaves; and the abstract representations of race and color in the Caribbean. All of these provide the reader with a glimpse of complex phenomena that, though they cannot be generalized in a single definition of blackness in Latin America, share the common element of living in societies where the definition of blackness was flexible, there were no laws of racial segregation, and where the culture on one hand tolerates miscegenation, and on the other denies full recognition of rights to Blacks.

Sample and contents
– Website: http://www.cambridgescholars.com/another-black-like-me

Tabom. A Comunidade Afro-Brasileira do Gana

Book

Tabom. A Comunidade Afro-Brasileira do Gana
Marco Aurelio Schaumloeffel

Lançado em 2014 pela Geração Editorial – ISBN 9781847990136

Saiba mais aqui: http://is.gd/Ip9dSQ
Compre aqui: http://is.gd/UYw2h6 ou

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/7440685

Impresso
Tabom. A Comunidade Afro-Brasileira do Gana

TabomO primeiro livro sobre a história dos tabons, a comunidade afro-brasileira do Gana. Eles voltaram à África Ocidental entre 1829 e 1836. “Este livro parece pequeno, mas possui muitas portas, como se fosse um casarão. Elas se abrem para várias e diferentes paisagens e nos deixam ver, primeiro, de fraque e cartola e, depois, envoltas em belo pano kente, as figuras humanas que as povoaram e cujas histórias os atuais tabons repetem de cor. Se, em suas páginas, aprendemos muito sobre o grupo tabom, graças ao cuidado e à inteligência com que Marco Aurelio Schaumloeffel soube ouvir e ler, elas nos pedem que saibamos mais.” (Alberto da Costa e Silva).
ISBN 1448645158 EAN 9781448645152

O livro impresso pode ser encontrado aqui: Tabom. A Comunidade Afro-Brasileira do Gana

Tabom – A Comunidade Afro-Brasileira do Gana

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Meu livro sobre os tabons finalmente ganha uma edição brasileira, lançada como e-book pela Geração Editorial.
ISBN:9781847990136
Lançamento: abril de 2014

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“Tabom”, de Marco Aurelio Schaumloeffel, é mais um lançamento de abril da Geração. O livro conta a história dos tabons, a comunidade afro-brasileira do Gana.

Saiba mais ~ http://is.gd/Ip9dSQ (Kindle/Amazon)
Compre aqui ~ http://is.gd/UYw2h6
Saraiva: http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/7440685


Source: Marco

Participação na mesa-redonda "A diáspora africana e a construção do Brasil"

A diáspora africana e a construção do Brasil

PictureParticipação na mesa-redonda “A diáspora africana e a construção do Brasil”, com os professores Joel Rufino dos Santos (RJ) e Rafael Sanzio (DF). A mesa-redonda fez parte do Seminário “Narrativas Contemporâneas da História do Brasil”, da II Bienal Brasil do Livro e da Leitura. O evento ocorreu de 11 a 21 de abril de 2014, em Brasília, Brasil. Eu falei sobre a fascinante história dos Tabons e como eles formam uma diáspora afro-brasileira no Gana.
Website do evento: www.bienalbrasildolivro.com.br
Programação do dia 15.04.2014: programação


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Ariano Suassuna foi o grande homenageado da Bienal. A homenagem foi linda e merecida. Este foi provavelmente o último evento literário do qual participou, infelizmente faleceu poucas semanas depois.

 

Links:
1) Guia UOL
2) Acha Brasília
3) Globo.com

Discriminação na Kartoffelfest

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Foto de diculgação da Kartoffelfest, publicada no site da prefeitura: www.santamariadoherval.rs.gov.br/kartoffelfest/‎

 

Discriminação na Kartoffelfest

20.05.2010PictureÉ sempre com grande alegria que visito minha terra natal. É uma ótima oportunidade para celebrar, ver a família e os grandes amigos que ficaram para trás. Sinto orgulho do lugar onde passei minha infância, o Speckhof, também conhecido como Boa Vista do Herval. No último dia 16 de maio mais uma vez voltei de férias para lá e obviamente fui participar da grande e já tradicional Kartoffelfest, a Festa da Batata.O Herval, assim como várias outras comunidades de origem alemã, italiana ou japonesa do interior do Rio Grande do Sul, é fascinante e único. Lá há o que chamamos de bilingüismo, ou seja, as pessoas falam, ao mesmo tempo, a língua dos seus antepassados e o Português, a nossa língua nacional. As línguas não são só formas de comunicação, elas são muito mais; elas carregam consigo toda uma história e a cultura das pessoas que as falam. Se uma língua deixa de ser falada, é como se a cultura que ela carrega consigo fosse dizimada. Há coisas, p.ex., que sabemos expressar tão bem no dialeto do Hunsrück falado no Herval e que não podem ser ditas com a mesma precisão em Português. O mesmo acontece com qualquer língua: cada uma possui características que são só suas.

Por muito tempo, especialmente depois da política discriminatória iniciada por Getúlio Vargas, absurdamente proibindo o uso, p.ex., da Bíblia ou de hinários de igreja em alemão, os dialetos e outras línguas faladas no Brasil foram proibidos, teoricamente não podiam ser falados, oficialmente não podiam ser ensinados nas escolas. Isto representou uma “involução”, uma espécie de apologia à “mono-cultura”.

E por muito tempo as coisas não foram diferentes no Herval: falar Alemão ou Português com sotaque era visto como coisa de “colonos”, considerados pessoas ignorantes, ou seja, havia uma inversão absurda de valores. Só falar Português era visto como correto, falar outras línguas era coisa de gente mal instruída. Mal sabem os que riam das pessoas bilíngües que há muito mais lá fora e que saber falar duas, três, quatro línguas é uma excelente vantagem no mundo competitivo de hoje. Um dos pontos altos deste absurdo intelectual foi a tentativa de um ex-prefeito do Herval de querer proibir os alunos de falarem o Alemão, a língua-mãe deles, nos intervalos das aulas (conforme reportagem da ZH de 26.06.1989). O artigo dizia que o ex-prefeito pretendia “coibir” o uso de Hunsrück nas escolas, dando orientação para que os alunos fossem ameaçados com castigos, caso não cumprissem com a determinação. Aquilo nada mais representava que a tentativa de anular a cultura de um povo. Para minha surpresa, mesmo no ano de 2010, deparo-me com mais um episódio lamentável, como o citado acima, na Kartoffelfest. Segundo relatos de pessoas presentes à festa, um dos jovens integrantes do POE (Policiamento de Operações Especiais), com armas pesadas em punho, resolveu chamar a atenção de um casal de idosos que conversava alegremente em Alemão, pedindo para que estes “falassem direito”, tudo isto em uma festa que carrega em seu próprio nome a celebração cultural de uma comunidade. Aparentemente o episódio exigiu, inclusive, a intervenção louvável do atual prefeito junto ao POE, solicitando que estes se ocupassem somente de sua tarefa, a segurança do local da festa. Sugiro ao comandante do POE que instrua seus comandados, pedindo para que estes deixem a arrogância e a aparente falta de compreensão cultural de lado e, pelo menos, cumpram o que diz nossa lei máxima no país, a Constituição Federal, a fim de não discriminarem cidadãos de bem. Isto está previsto nos artigos 3º, Parágrafo IV e 5º, Parágrafo IX, que proíbem quaisquer tipos de discriminação e a livre expressão de comunicação, entre outros direitos.

Além do mais, há um agravante neste caso, pois subjacente está a discriminação intelectual ainda hoje imposta aos falantes de duas ou mais línguas em nossas terras. Nós, os hervalenses bilíngues, não temos culpa e não condenamos ninguém por falar uma só língua, mas exigimos respeito por nossa cultura e língua. Aliás, muitos daqueles que frequentemente criticam os “colonões” ou os “alemães-batata” – expressões que já ouvi muitas vezes da boca de alguns que pensam estar em um nível superior, pois se sentem parte “da cidade” e “civilizados” – lamentavelmente nem sequer conseguem falar corretamente a variedade padrão da única língua que sabem.

Só para citar dois exemplos, na Europa de hoje é quase impossível ser competitivo profissionalmente quando se fala uma só língua. Em Aruba, Bonaire e Curaçao, as Ilhas ABC do Caribe, quase todos os cidadãos sabem falar quatro línguas paralelamente: Holandês, Papiamentu, Inglês e Espanhol. E alguns entre nós ainda querem coibir o Alemão Hunsrück falado em nosso meio. Não são lamentáveis atitudes deste tipo?

Nós deveríamos ter orgulho da nossa cultura e das línguas faladas em nossas comunidades. Se esquecermos do passado, deixaremos de ser quem somos.

Os casos acima ilustram a velha história de querer rir de quem se dedica ao conhecimento e vive a multiculturalidade. O mundo já mostrou e continua a mostrar que a ignorância faz de nós, os eternos subjugados. Quanto mais tentarmos “apagar” nosso passado, seja ele de origem africana, europeia, indígena, árabe ou asiática, tanto mais eliminaremos aquilo que nos torna nós mesmos, aquilo que somos hoje. Quanto mais soubermos, melhor para nós e para o país. Quanto mais discriminarmos, mais nós mesmos nos afundaremos na ignorância. Simples assim.

 * Marco Aurelio Schaumloeffel é professor de Alemão, Português e Linguística. Atualmente leciona Português, Cultura Brasileira e Cinema Brasileiro em Inglês na University of the West Indies, em Barbados, no Caribe. Ele elaborou a sua dissertação de mestrado em Linguística pela UFPR sobre o dialeto Hunsrück falado em Boa Vista do Herval.


Source: Marco

History of the Tabom, the Afro-Brazilian community in Ghana

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Chapter in Book

SCHAUMLOEFFEL, Marco Aurelio. History of the Tabom, the Afro-Brazilian community in Ghana. In: Kwesi Kwaa Prah. (Org.). Back to Africa. Afro-Brazilian Returnees and their communities. 1ed. Cape Town: The Centre for Advanced Studies of African Society (CASAS), 2009, v. 1, p. 159-172.

Tabom. The Afro-Brazilian Community in Ghana

Book

Tabom. The Afro-Brazilian Community in Ghana
Marco Aurelio Schaumloeffel

Tabom. The Afro-Brazilian Community In GhanaThe first book on the History of the Tabom, the community of the Afro-Brazilian returnees in Ghana. They returned to Ghana from Bahia between 1829 – 1836. “This book seems to be small, but has many doors, as if it were a mansion. They lead to several and different sceneries and let us see, first, in tail-coat and top-hat, and later wrapped in a beautiful kenté cloth, the human beings who filled them and whose stories the Tabom of today repeat by heart. If in its pages we learnt a lot about the Tabom People, thanks to the accuracy and the intelligence with which Marco A. Schaumloeffel listened and read, they demand from us, that we learn more.” (Alberto da Costa e Silva).
ISBN 1440460655 EAN 978-1440460654

You can find the book here: Tabom. The Afro-Brazilian Community in Ghana

Empréstimos lingüísticos do português nas línguas faladas no País dos Tabons

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Artigo publicado:

Schaumloeffel, Marco Aurelio. Empréstimos lingüísticos do português nas línguas faladas no País dos Tabons. Palavras (Lisboa), v. 34, p. 47-60, 2008.